Pesquisar este blog

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Mais um setor sendo engolido pelos gigantes multinacionais

O grande capital transnacional dá sinais objetivos de que vai acabar com a soberania do Brasil na produção de álcool e de combustíveis dele derivados. Os investidores estrangeiros já invadem o setor produtivo de açúcar e etanol, que no passado sempre foi explorado por empresas nacionais. Gigantes do peso da holandesa Bunge, da norte-americana Cargil e da francesa Tereis entram com toda disposição em nosso mercado, comprando grandes usinas brasileiras. Elas aproveitam a crescente demanda mundial por combustíveis renováveis e limpos.

Cada tonelada de cana tem potencial energético equivalente ao de 1,2 barril de petróleo.A cana-de-açúcar gera açúcar, álcool anidro (aditivo para a gasolina) e álcool hidratado para os mercados interno e externo. Na média, 55% da cana brasileira vira álcool e 45%, açúcar. Só o mercado mundial de álcool é estimado em 34 bilhões e 400 milhões de litros (em números de 2002). Deste total, os combustíveis ficam com 22 bilhões e 500 milhões de litros. O álcool industrial fica com 7 bilhões e 400 milhões de litros, e as bebidas com 4 bilhões e 600 milhões de litros produzidos.

No Brasil, em menos de 1% das áreas agricultáveis plantam-se 4 milhões e 500 mil hectares de cana de açúcar.O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, seguido por Índia e Austrália. Planta-se cana no Centro-Sul e no Norte-Nordeste, o que permite dois períodos de safra. Produz-se, portanto, o ano todo. Dependendo do momento de plantio, a cana demora de ano a ano e meio para ser colhida e processada pela primeira vez. É este potencial da indústria sucro-alcooleira do Brasil que atrai os investidores estrangeiros.

Em mais de 25 anos de história de utilização do álcool como combustível em larga escala, o Brasil desenvolveu tecnologia de motores e logística de transporte e distribuição do produto únicas no mundo. Hoje, há determinação legal no sentido de que toda gasolina brasileira contenha de 20 % a 24% de álcool anidro, com variação de + ou – 1. O Brasil desenvolveu infra-estrutura ímpar de distribuição do combustível e detém uma rede de mais de 25 mil postos, com bombas de álcool hidratado, para abastecer cerca de 3 milhões de veículos, 20% da frota nacional.

O BNDES vem registrando forte interesse em negócios com cana-de-açúcar devido ao volume de pedidos junto ao banco. Dos cerca de 90 novos projetos previstos para entrar em operação até 2010, 17 estão solicitando apoio do BNDES via Financiamento de Empreendimentos (Finem). Os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social também vão ajudar os “parceiros” estrangeiros que chegam para dominar o mercado.

A Bunge Brasil, que iniciou suas operações no ramo de açúcar, pretende entrar nesse segmento com a estratégia de estreitar a relação com os produtores agrícolas, oferecendo outras formas de negociação (pagamento de fertilizantes com açúcar, por exemplo), gerar escala logística – reduzindo custos unitários de transporte e oferecer um portfólio maior de produtos aos clientes.

A Bunge se interessou pelo mercado de álcool brasileiro depois que a norte-americana Cargill adquiriu a Cevasa (Central Energética Vale do Sapucaí). O negócio envolveu US$ 70 milhões de dólares. Com a aquisição, a empresa ingressou no setor de produção de açúcar e álcool no Brasil. A multinacional francesa Tereis é a outra que está investindo em usina, com três unidades produtoras de álcool no Brasil. O presidente Lula da Silva já fez o favor de entregar ao presidente George Bush, no último encontro dos dois, em Genebra, todo um plano de investimentos para o lucrativo setor de produção de etanol combustível.

No mercado interno, as tradicionais empresas de capital fechado mudam de estratégia de negócio para sobreviver aos ataques dos investidores externos. O conselho de administração da Vale do Rosário, uma das maiores usinas de açúcar e álcool do País, discute na próxima semana a possibilidade de abertura de capital da empresa como forma de permitir a expansão dos negócios da empresa. A empresa já recebeu propostas de seis bancos para dar início ao processo de oferta inicial de ações. A abertura de capital poderá ser uma opção da empresa para a compra das ações de parte dos 109 acionistas minoritários, que estão insatisfeitos e querem se desfazer de suas participações.
Dica de Investimento:
Se concretizada a abertura de capital, a Vale do Rosário será o segundo grupo sucroalcooleiro do país a realizar esta operação. O primeiro foi o Cosan, em novembro de 2005, cujas ações já tiveram valorização de 211,46% desde sua entrada no mercado. O negócio é altamente lucrativo.

Nenhum comentário: