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domingo, 23 de julho de 2006

Por quê esses dois desgraçados vieram parar no Mercosul,hein,Lula?


Editorial do Estado de S.Paulo

O ditador cubano Fidel Castro falou pouco, para seus padrões, mas seu discurso durou 42 minutos, o triplo do tempo gasto pelos outros presidentes, na sexta-feira, quando discursaram na 30ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de Córdoba. Apesar da inesperada concisão, Castro conseguiu transmitir seu recado: "A integração latino-americana tem inimigos há séculos. Eles não ficam felizes quando vêem uma reunião como esta", avisou, acrescentando um detalhe tranqüilizador: "Esse foi um dos motivos pelos quais eu vim aqui."

O Mercosul está "mais pujante do que nunca", segundo Castro. No dia anterior, o companheiro Hugo Chávez também havia sido eloqüente. "A partir de Córdoba, o Mercosul será outro", assegurou o presidente da Venezuela, recém-admitida como quinto país do bloco. "Estamos entrando em nova etapa – é como um relançamento."

Antes de anunciar o renascimento do Mercosul, agora fortalecido por sua presença e por um acordo comercial com Cuba, Chávez cumpriu a rotina de falar mal, numa entrevista, do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Reiterou sua luta contra o imperialismo e aconselhou Bush a não falar com a boca cheia de comida.

Nesse ambiente, nada mais compreensível que o otimismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu por seis meses a presidência do bloco, recebendo o posto do colega argentino Néstor Kirchner. "O Mercosul vai agora da Terra do Fogo ao Caribe e confirma sua vocação natural para acolher novos parceiros da região e construir associações mais ambiciosas", disse Lula. Na quinta-feira ele havia dito que o Mercosul "é como coração de mãe, cabe sempre mais um".

Ambiciosos, pelos padrões do Mercosul, são os pactos comerciais com Cuba e com o Paquistão, formalizados em Córdoba. Lula mencionou também as "boas perspectivas" de acordos com a Índia, o Conselho de Cooperação do Golfo e a União Aduaneira da África Austral.

Não mencionou as negociações com a União Européia, empacadas há dois anos. Também estão emperradas as discussões sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Como Chávez se opõe a esse projeto, é duvidoso que a Alca volte brevemente à agenda do bloco.

Mas nem todos aceitam essa limitação e também isso contribui para esfacelar o Mercosul. Em Córdoba, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, pediu oficialmente, pela primeira vez, autorização para buscar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O governo do Paraguai, também decepcionado com o Mercosul, já demonstrou interesse em negociar com os americanos.

Um comentário:

Céus Concretos disse...

Aha Finalmente o nome desta organização vai poder ser mudada, com louvores, para MERDOSUL