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sábado, 16 de setembro de 2006

O General Geisel Vaticinou:"A Bolívia não é de confiança"

Geisel tinha razão

Carlos Chagas [16/09/2006]
Num depoimento que deu antes de morrer, o ex-presidente Ernesto Geisel explicou seu desinteresse pelo gás e pelo petróleo da Bolívia dizendo ser aquele país atrasado e inconfiável, capaz de levar o Brasil a utilizar o exército no caso do descumprimento de compromissos porventura celebrados com a Petrobras. Foi depois do governo Geisel, e contrariando suas diretrizes, que a empresa assumiu o controle de duas refinarias bolivianas, recuperando-as, bem como investindo bilhões para recebermos gás daquele país.

Quase trinta anos depois de ter deixado o poder, cumpre-se metade do seu vaticínio: o governo de La Paz promove mais uma lambança, descumpre acordos, rasga contratos, apropria-se de patrimônio brasileiro instalado em seu território. Por decisão unilateral do presidente Evo Morales, acaba de ser transferido para a estatal boliviana o controle da comercialização de combustíveis beneficiados pelas duas refinarias da Petrobras. Só falta interromperem o fornecimento de gás.

Felizmente parece fora de cogitações o emprego de tropa armada brasileira para defender nossos interesses esbulhados, mas é evidente que o general tinha razão. O governo de La Paz nos humilha outra vez. Fazer o quê? Parece pífia a reação anunciada pela Petrobras, de recorrer aos tribunais bolivianos para assegurar seus direitos e, como alternativa, buscar arbitramento internacional.

Aguarda-se uma resposta do governo brasileiro, prestes a ser de novo enganado com promessas de suspensão dos efeitos da medida anunciada pelo governo da Bolívia. Cancelar a visita do ministro de Minas e Energia e do presidente da Petrobras àquele país é muito pouco. Continuar negociando com quem carece de credibilidade, pior ainda. Espera-se alguma atitude do Planalto.

Comportamento

Em entrevista à Rede Bandeirantes, na noite de quinta-feira, o presidente Lula acusou Fernando Henrique Cardoso de não se comportar como um ex-presidente. Como deve comportar-se um ex-presidente? Não há uma só resposta. José Sarney, por exemplo, voltou para a política após deixar o Planalto, elegeu-se senador pelo Amapá, presidiu o Congresso e prepara-se para ser outra vez reeleito. Mesmo cauteloso, não deixa de participar de tertúlias variadas, ainda agora responsável por levar o seu partido, o PMDB, a não apresentar candidato à presidência e apoiar o Lula, nas entrelinhas. Fernando Collor tenta retornar à política, lançando-se candidato ao Senado, tendo recomendado apoio à reeleição de Lula. Itamar Franco tentou candidatar-se ao Senado, naufragou nas correntes da política mineira e imaginando falta de empenho de Lula em suas pretensões, apóia Geraldo Alckmin.

De todos, Fernando Henrique é o único que não encontrou espaço para disputar cargo eletivo, espaço afinal negado a Itamar, mas tentado. Talvez repouse aí a idiossincrasia do sociólogo, que o faz acionar uma espécie de metralhadora giratória sem munição, imaginando atingir todo mundo. Nesse confronto entre o atual e o ex-presidente, Fernando Henrique não tem nada a perder, precisamente porque não disputa eleições. Mas o Lula tem. Ao reagir às farpas do antecessor, caiu na armadilha. Fez o jogo dele.

Ontem, em Brasília, os principais auxiliares de Lula tentavam convencê-lo a interromper qualquer tipo de reação a FHC. Ignorá-lo seria a melhor solução. Resta saber se aceitará os conselhos.

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