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terça-feira, 3 de outubro de 2006

Doleiro diz que BC tem nome de comprador

Dono de operadora supostamente envolvida no caso do dossiê afirma que órgão mantém registros de quem adquiriu moeda

Empresário não descarta possibilidade de compras terem ocorrido em valores pequenos para dificultar um futuro rastreamento

O doleiro Clóvis Alves da Costa informou ontem que o Banco Central mantém em seu sistema os nomes de todas as pessoas e empresas que adquiriram dólares de sua operadora, a Diskline Câmbio e Turismo, nos meses de agosto e setembro últimos.
A Polícia Federal tem indícios, conforme a Folha revelou no último sábado, de que a Diskline foi a ponta de uma transação de compra e venda de parte dos US$ 248 mil usados para a aquisição, por integrantes do PT, de um dossiê da família Vedoin, em Mato Grosso, contra o candidato José Serra (PSDB), eleito anteontem governador de São Paulo.
A assessoria de imprensa do Banco Central confirmou a informação, mas disse que a Justiça Federal de Cuiabá (MT) ordenou a quebra do sigilo apenas das operações superiores a US$ 10 mil (leia texto ao lado).
Ao saber quem comprou os dólares da Diskline, a PF poderia, em tese, chegar às pessoas que entregaram as malas de dinheiro ao assessor do senador Aloizio Mercadante (PT), Hamilton Lacerda, que, por sua vez, entregou o dinheiro no hotel Íbis, de São Paulo, onde foi apreendido no último dia 15.
Segundo a investigação da PF, o passeio dos dólares começou num banco de Miami (EUA), continuou pelo banco Sofisa, no Brasil, e acabou na corretora EBS, entre outras. Uma parte desse dinheiro, cerca de US$ 110 mil, teria chegado à operadora de câmbio e turismo Diskline, quem, enfim, vendeu os dólares a pessoas físicas e jurídicas em São Paulo.
Clóvis Costa confirmou que sua empresa costuma adquirir dólares da corretora EBS. Em agosto último, o volume total foi de US$ 1,06 milhão. Em setembro, US$ 250 mil.
Costa disse que nunca vendeu US$ 110 mil para uma única pessoa ou empresa e que 95% dos seus clientes são pessoas físicas que compram "US$ 2.000, US$ 3.000, principalmente para gastos pessoais em viagens de férias". A pedido da Folha, Costa consultou o relatório de operações na semana da apreensão do dossiê, de 10 a 15 de setembro, e concluiu que também nesse período não houve operações "de valor significativo", oscilando de US$ 2.000 a US$ 4.000.
Indagado se, sem o conhecimento da agência, podem ter ocorrido várias aquisições pequenas por uma mesma pessoa, em nome de outras pessoas, para dificultar um futuro rastreamento, o empresário concordou com a possibilidade. "É possível, sim, que tenha vindo um monte de pessoas físicas e comprado. Isso é indiscutível. Mas todas essas pessoas estão identificadas, elas apresentaram sua documentação, vieram aqui, assinaram boleto, quer dizer, fizeram uma movimentação legal", explicou o doleiro.
Os nomes e endereços dos compradores dos dólares, independentemente do valor da aquisição, são informados pela agência diariamente pela internet ao Sisbacen (Sistema de Informações do BC).

Dificuldade
Há uma dificuldade básica para localizar quem comprou os dólares usados na tentativa de compra do dossiê: não há lei que obrigue os doleiros e o BC a registrar as operações pelo número das cédulas.
Costa disse que não há políticos entre seus clientes. "Eu até estava analisando minha relação de clientes, e não há nenhum nome assim, conhecido, não tem nada de figuras conhecidas, associadas ou não a essa problemática toda."
O doleiro negou que a Diskline pertença ao doleiro Marco Antônio Cursini, investigado pelo Ministério Público Federal do Paraná por supostos crimes contra o sistema financeiro. "Não o conheço nem ele me conhece." Cursini também negou relação com a Diskline.

Um comentário:

Tiago Motta disse...

Aposto que o dinheiro veio da conta do filho do Lula!