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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Perda de foco

Será contraproducente para todos — governo, oposição e para a própria aviação civil brasileira —, se a divulgação do diálogo final entre os pilotos do Airbus da TAM vier a condicionar o debate sobre o apagão aéreo.

A leitura das últimas frases dos pilotos Henrique Stephanini Di Sacco e Kleyber Lima, feita ontem na CPI do Apagão Aéreo da Câmara, pode servir apenas para elevar os decibéis na discussão sobre se o governo tem ou não responsabilidade na explosão do Airbus sobre a Av. Washington Luís, numa das cabeceiras da pista principal de Congonhas. Se isso acontecer, será uma perda de tempo, considerando que o objetivo principal do governo, do Congresso e das empresas deve ser — ou deveria ser — resgatar o setor da mais grave crise de sua história, com graves repercussões econômicas e sociais.

Aceitar esses termos é pressupor que uma falha humana e/ou mecânica no vôo JJ-3054 isentaria o poder público no balanço de responsabilidades pela crise. Seria ter a mesma visão estreita demonstrada pelo assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, ao comemorar, com gestos nada recomendáveis, a notícia de um problema com a turbina direita do aparelho.

Mesmo que não houvesse a tragédia com o A320, o apagão aéreo, visível pela primeira vez na queda do Boeing da Gol, em setembro do ano passado, seria uma realidade palpável e ameaçadora.

Ora, no dia anterior ao acidente em Congonhas, segunda-feira 16, 14 pilotos alertaram a torre do aeroporto para as más condições da pista, reformada e reaberta açodadamente, sem o grooving, as ranhuras para facilitar o escoamento da água da chuva e aumentar o atrito dos pneus dos aviões na frenagem.

Não importa se a falta de ranhuras e uma pista escorregadia não tenham contribuído para a tragédia. Mas importa saber que, por causa da leniência da Anac, aparelhada pelo governo e cooptada pelas companhias, Congonhas tornou-se um centro de conexões sem poder sê-lo.

A reconstituição do final daquele vôo trágico do Airbus da TAM em Congonhas é peça-chave num quebra-cabeça que ajudará a aumentar a segurança aeroviária no mundo inteiro. Mas não reduz o nosso apagão...

3 comentários:

Anônimo disse...

ZEPOVO
Agora é tarde meus amigos!
Meteram o pau no Governo , chegaram a culpar o proprio LULA pela morte de 200 pessoas, e agora querem ser cordatos e racionais.
Agora que ficou claro o obvio:
Apesar o governo ter culpa de muita coisas neste caso foi inocente, foi um acidente.
Lamentavel a CPI e seus deputados analisando a Caixa Preta, patetico a atuação de alguns que nada sabem sobre o assunto querendo concluir o que especialistas levam meses para concluir.
Aprenderam a lição?

Anônimo disse...

Que lição? do que você está falando?
Após o acidente com o avião da Gol o país tomou conhecimento da situação precária do setor. O que o governo (kkk) fez? Nada! 10 meses de inércia! Precisou acontecer outro acidente, com 199 vítimas para que o governo (kkk) agisse, demitindo uns e tomando algumas medidas. Este país está sucateado, outros apagões virão...

Stella disse...

Kozel, nós não podemos deixar o governo jogar sua sujeira para debaixo do tapete