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sábado, 22 de setembro de 2007

Partido ganha nova diretoria na estatal e também a presidência da BR Distribuidora

PT avança na Petrobras

Quase um mês depois de muitas especulações e barganhas políticas, e em meio às negociações com os partidos aliados no Congresso para prorrogar a CPMF, o PT ganhou a primeira batalha na disputa por diretorias na Petrobras. O Conselho de Administração da estatal aprovou ontem mudanças na diretoria de Gás e Energia e na presidência da Petrobras Distribuidora (BR) . Em reunião, o Conselho aprovou a nomeação do ex-senador (PT) e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra para a presidência da BR. Dutra foi indicação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prometera ao amigo — derrotado ano passado na disputa por uma vaga no Senado — que ele voltaria a ocupar um cargo no governo.


Em 2002, o petista perdeu a eleição para governador de Sergipe e, em seguida, ganhou como prêmio de consolação a presidência da Petrobras.

Ano passado foi derrotado por uma vaga no Senado e agora ganha a BR Distribuidora. Dutra presidiu a Petrobras de janeiro de 2003, início do primeiro mandato de Lula, até julho de 2005, quando saiu para disputar as eleições de 2006.

O petista vai ocupar o lugar de Maria das Graças Foster, também aprovada ontem para ocupar a Diretoria de Gás e Energia no lugar de Ildo Sauer, outro petista. Graça, como é chamada pelos amigos, é uma indicação da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, que há tempos tentava pôr a executiva numa diretoria da Petrobras.

Diretor demitido fala de pressões

No fim da tarde de ontem, o então diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, que perdeu o cargo para a indicada pela ministra Dilma, divulgou uma carta dirigida “aos companheiros e amigos da Petrobras”, na qual afirma que recebeu a notícia de seu afastamento “sem alegria e sem espanto”.

“De repente me dei conta de que posso não ter sido afastado da Petrobras por meus defeitos. Mas pelas virtudes das pessoas de cujas lutas participei e vou continuar participando”, escreveu. Ele deixa claro seu descontentamento com o governo Lula, que, para ele, cedeu às pressões para o rompimento dos contratos de longo prazo de energia elétrica entre geradoras estatais (como Furnas e Eletronorte) com as distribuidoras de energia a partir de 1ode janeiro de 2003.

Com o fim dos contratos, diz Sauer, seria instalado um mercado livre: “O governo acabou cedendo às pressões.

E estimo que os prejuízos para as estatais e para os pequenos e médios consumidores de energia elétrica do país decorrentes dessa decisão estejam na casa dos R$ 10 bilhões”.

Outra crítica ao governo Lula é em relação à política de incentivo aos biocombustíveis: “Na área de biocombustíveis nos empenhamos decididamente.

Não para reforçar esquemas antigos de exploração e de integração subordinada da agricultura familiar.

Nem para fomentar a demagogia de que o mundo será salvo se ampliarmos os canaviais e as plantações de oleaginosas para produzir álcool combustível e biodiesel.” Na carta, Ildo Sauer afirma que o petróleo é “campo de dramáticas disputas econômicas e políticas”. Ildo critica também os governos Collor e Fernando Henrique pelo contrato de importação de gás com a Bolívia.

Mudanças não terminaram

Mas a pressão de PT, PP e PMDB continua, e a dança das cadeiras não terminou na Petrobras. Outras três diretorias estão em jogo para futuras trocas: a da Área Internacional, atualmente ocupada por Nestor Cerveró; a de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa; e a de Exploração e Produção, uma das mais cobiçadas pelos elevados investimentos ali concentrados.

Somente nos próximos cinco anos essa diretoria planeja investimentos de US$ 65,1 bilhões.

O comentário ontem nos bastidores era de que o presidente Lula, depois do festival explícito de cobranças da base por cargos em meio à votação da CPMF no Congresso, preferiu adiar o anúncio dessas nomeações para os próximos dias.

Já estaria praticamente confirmada a ida do funcionário da Petrobras Alan Kardec para a Diretoria de Abastecimento, por indicação do PMDB, de sindicalistas e de parte do PT. Em função justamente de sua nomeação para a diretoria, Kardec teve sérios atritos com o diretor Paulo Roberto Costa.

Para amenizar o clima entre os dois, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, tirou Kardec da diretoria de Abastecimento e o nomeou como um assessor direto na presidência.

Até ontem não estava definido, por sua vez, o destino de Paulo Roberto Costa. Uma das possibilidades é de ele ir para a Diretoria de Exploração e Produção, hoje ocupada por Guilherme Estrella. Outra indicação dada como certa é a ida de João Augusto Fernandes, ex-diretor da BR, para a Diretoria da Área Internacional. Fernandes seria também indicação do PMDB.

O Conselho de Administração da Petrobras aceitou ontem também a renúncia ao cargo de conselheiro de Roger Agnelli, presidente da Companhia Vale do Rio Doce. Ele está deixando o cargo, como antecipou Ancelmo Gois em sua coluna, porque a Vale está entrando nas atividades de exploração e produção de gás natural.

2 comentários:

Anônimo disse...

ZEPOVO

O PT é Governo, o maior acionista da Petrobras. Ao dono de qualquer empresa cabe o direito de dispor das coisas à seu critério.

Gaertner disse...

Privatização JÁ!, para que o petrossauro, como a chamava Roberto Campos, não fique à mercê dos amiguinhos boçais e larápios do zepolvo, o baba-ovo do lullalau.