A altercação opôs o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, aos dois ministros de Lula. Ao chegar à festa, Rodrigo foi conduzido pelo anfitrião Demóstenes a um cômodo em que estavam Walfrido, Jobim, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Roseana Sarney (PMDB-MA). “Você está faltando com a verdade”, disse Walfrido a Rodrigo.
O ministro referia-se a uma queixa que o presidente do DEM fizera na véspera. Em telefonema a Roseana, líder de Lula no Congresso, Rodrigo reclamara da profusão de notícias dando conta da cooptação de congressistas do DEM pelo governo. A gota d’água fora uma nota que informava que a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) votaria a favor da CPMF. Rodrigo atribui a Walfrido a “plantação” desse tipo de notícia nas páginas dos jornais.
Aproveitando-se do acaso, que o pôs frente a frente com Rodrigo, Walfrido disse que fora procurado pela senadora Rosalba, não o contrário. Disse que ela lhe dissera que votaria a favor da CPMF. E repetiu, em timbre ameno, mas enfático, que a crítica de Rodrigo, além de injusta, era inverídica.
E o deputado: “Não estou errado, não, ministro. O que vocês fizeram na Câmara e estão fazendo no Senado eu nunca vi igual. Não é justo e não é certo. Se não fosse a decisão do Judiciário, favorável à fidelidade partidária, vocês teriam destruído o meu partido [...]. A fidelidade salvou o meu partido. Vocês iam tirar todo mundo. Me tenham como inimigo e vamos para a guerra. Não tem problema. Mas vocês estão jogando muito pesado, o que é um desrespeito às instituições”.
Nesse ponto, Jobim, que, charuto entre os dedos, apenas observava o diálogo, interveio: “Quem está jogando muito pesado é você”. Rodrigo Maia estranhou: “Eu? Por que?”. E Jobim: “Você outro dia botou no blog uma foto minha dizendo que era o canastrão e a sucuri.” Rodrigo deu corda: “A palavra é dura, mas foi o jornalista do blog que colocou”. Jobim, prosseguiu: “A responsabilidade é sua. O blog é do partido. E você é o presidente do partido”. Rodrigo arrematou: “A responsabilidade é minha. E saiba que não costuma censurar o meu jornalista”.
Em seguida, Jobim deu as costas para Rodrigo e puxou conversa com uma atônita Roseana Sarney. Entre dar continuidade ao bate-boca e retirar-se da sala, Rodrigo optou pela segunda alternativa. Depois, foi informado de que, na sua ausência, Jobim chamou-o de "babaca". Mais tarde, quando deixava a festa junto com Jobim, Walfrido dirigiu-se a Rodrigo: “Vou te telefonar, para acertarmos os ponteiros”. E o deputado: “Não precisa ligar. Não vou atender. Vocês lá e eu aqui.” Cumprimentaram-se protocolarmente. Jobim deu “boa noite” ao desafeto. Walfrido não ligou.
Noves fora o entrevero, a festa de Demóstenes foi um tributo à convivência pós-Renan Calheiros. Lá estavam senadores e deputados de todos os partidos. Do ‘demo’ José Agripino Maia (RN) aos petistas Eduardo Suplicy (SP) e Aloizio Mercadante (SP), passando pelos tucanos Marconi Perillo (GO), Lúcia Vânia (GO) e Marisa Serrano (MS). Antes de avistar-se com Rodrigo, Walfrido aproveitara a ocasião para cabalar votos em favor da CPMF. Foi de tucano em tucano para dizer que confia “no espírito público do PSDB”.
A festa foi embalada por um conjunto musical importado de Goiânia. Chama-se “PM Show”. É integrado por policiais goianos. Foi constituído à época em que Demóstenes era secretário de Segurança de Goiás. Acompanhado pelo “The Police”, como Demóstenes prefere chamar o grupo, Suplicy animou-se a entoar "Blowin’in the wing", de Bob Dylan. Roseana Sarney cantou "London, London", de Caetano Veloso. Demóstenes fez as vezes de backing vocal da filha de José Sarneu: “While my eyes go looking for flying saucers in the sky”, esmerava-se o senador. Até Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da emenda da CPMF no Senado, brindou os presentes com "Como é grande o meu amor por você", de Roberto Carlos.
Para desassossego do presidente interino Tião Viana, vizinho de cima do apartamento de Demóstenes, a festa, que começara às 20h 30 de terça, só terminou pouco antes das cinco da madrugada de quarta-feira. Embora convidado, Tião não deu as caras, diferentemente de todos os outros vizinhos. Os últimos a deixar o apartamento de Demóstenes foram Kátia Abreu, Marcoini Perillo e Rodrigo Maia, a essa altura, mais calmo.
Já nesta quarta-feira (24), ainda remoendo a discussão com Jobim, Rodrigo Maia foi ao dicionário. "Canastrão significa ator medíocre", disse o deputado ao repórter. "Não é nada de outro mundo. O Jobim precisa se convencer de que não é mais ministro do STF. Ele agora está na política. Entrou na chuva. Não resolveu nenhum dos problemas do ministério da Defesa. E, fantasiado de soldado, passeia pela Amazônia."
"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo."
3 comentários:
Que festa! Deve ter sido como a festa de arromba do Rei Roberto...
Jobim, na verdade, é um saco. Canastrão, pentelho e pretensioso. Já o "espírito público" do PSDB conhecemos bem: são muito espirituosos com o nosso dinheiro e se borram de medo de enfrentar o PT para valer. Escolheram bem a ave símbolo: são bons de bico e ruins de vôo.
Isso tá mais para a festa do apê do Latino. Rolou o maior bunda-lê-lê nesse folguedo.
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