"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo."
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sábado, 11 de agosto de 2007
'Direito dos lutadores cubanos foi ignorado'
Para o embaixador, Brasil poderia ter usado boas relações com Cuba e obter garantias para boxeadores repatriados
Gabriel Manzano Filho
A decisão brasileira de mandar de volta para Cuba os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara “ignorou a relevância da questão dos direitos humanos” e deixou de lado uma longa tradição diplomática brasileira. E se os dois voltaram por vontade própria, como se informou, então o Brasil não aproveitou as relações especiais que tem com o governo de Fidel Castro, para cobrar daquele país garantias de que os repatriados e suas famílias teriam sua dignidade e seus direitos integralmente respeitados. Ao fazer essa avaliação, ontem, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer enfatizou que, em vários momentos do caso, as autoridades brasileiras não levaram em consideração a Constituição do País.
Houve alguma coisa irregular no modo como o Brasil tratou o episódio da fuga e repatriamento dos dois boxeadores de Cuba?
Há uma série de normas, a começar pela própria Constituição, que não foram levadas em consideração. Temos um inciso no art. 4º que prevê o asilo político. Fomos o primeiro país do continente a assinar o Estatuto dos Refugiados, de 1951. Somos um destino importante de muitas dessas pessoas do mundo todo, temos uma história de respeito e generosidade na defesa de pessoas submetidas a qualquer tipo de coerção política. E, apesar disso tudo, vimos um episódio como esse, tão cheio de dúvidas e explicações estranhas, ser tratado essencialmente por agentes e delegados de polícia. E não dá para entender como o Itamaraty não tomou conhecimento do problema.
O que foi feito concretamente de errado, ou que era certo e deixou de ser feito?
O fundamental é que não se deu a devida relevância, do começo ao fim do episódio, à questão dos direitos humanos. Parece-me grave a maneira simples, automática, com que os dois lutadores foram recambiados de volta ao seu país, um país reconhecidamente autoritário, onde previsivelmente seriam submetidos a sanções cujo alcance não temos como avaliar daqui.
Qual lei, ou trecho de lei, estabelece essa relevância, e que foi esquecido pelas autoridades?
A lei internacional está cheia de documentos, além dos muitos tratados e disposições dos países e da Constituição e do Estatuto dos Refugiados. O art. 13º da Declaração dos Direitos Humanos, no inciso 2, diz que toda pessoa tem direito a deixar qualquer país, se entender que nele é vítima de algum tipo de coerção. O art. 14º dá direito, a qualquer vítima, de procurar asilo em outro país. E existe um princípio importante, que na diplomacia chamamos de “non-refoulement” - o cuidado de não repatriar pessoas para países de governos autoritários. Ele foi ignorado no episódio. Entregar essas pessoas de volta a governos que desafiaram é um ato de desrespeito aos princípios democráticos.
O que parece ter ocorrido, segundo algumas autoridades, é que os dois se arrependeram do gesto, possivelmente porque foram informados de que suas famílias, em Cuba, iriam sofrer as conseqüências de sua fuga. Por isso pediram para voltar, e o mais rápido possível, mesmo sabendo que sofreriam punição. Isso não torna a questão um pouco mais delicada?
Se foi isso que ocorreu - e essa é uma versão verossímil - caberia ao Brasil fazer gestões diplomáticas e certificar-se de que o retorno dos dois a Cuba se faria em condições de total respeito à segurança e à dignidade deles e de suas famílias. O governo brasileiro, ao que se sabe, tem toda condição para pedir isso. O presidente da República e outras pessoas próximas dele são bons amigos de Castro. Teriam mantido a tradição de generosidade do Brasil se condicionassem o repatriamento a tais garantias.
Mas os cubanos poderiam ter recusado tais condições. Como ficaria?
Cuba é hoje um país em transição. O novo homem forte, Raul Castro, tem como bases de sustentação as Forças Armadas, o Partido Comunista, o aparato estatal. Em recente discurso ele declarou que a solução, para o futuro do país, não está na guerra, mas na política. Supõe-se, então, que há espaço para se fazer política com ele.
Mas Fidel ainda manda e decide sozinho, como indicam suas mensagens pelo Granma.
Mas creio que neste momento é possível um papel construtivo da parte do governo brasileiro nessa transição cubana. Há toda uma agenda não tratada ainda, que é a agenda da sociedade civil cubana. Nosso governo poderia ter trabalhado nessa direção. Isso é algo importante, que deveria ser cobrado das autoridades.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Entrevista de Carlos Ghosn à VEJA de 10.01.2007
Entrevista completa aqui
sábado, 18 de novembro de 2006
O Brasil é um país babaca

Presidente da Abiec diz que o País deve ser mais pragmático para ampliar as vendas externas. Aos 67 anos de idade, o gaúcho Marcus Vinicius Pratini de Moraes é um especialista no tema exportação. Economista de formação, ele é ex-deputado federal e foi ministro interino do Planejamento e Coordenação Geral em 1968 (governo Costa e Silva). Também foi titular das pastas da Indústria e Comércio em 1970 (governo Garrastazu Médici); de Minas e Energia em 1992 (governo Itamar Franco); e da Agricultura em 1999 (governo Fernando Henrique Cardoso). O maior desafio do País no momento, diz ele, é ser agressivo, mais do que já é, no mercado internacional, na defesa do mercado brasileiro. "É preciso seguir o modelo do toma-lá-dá-cá, ou seja, aplicando aos países que nos restringem o mesmo tipo de restrição. Esta é a única regra que funciona", afirma convicto.
"Lembram do vinho chileno? Proibi a entrada porque eles não queriam o nosso frango. Tem que ser assim, só funciona assim. É preciso que o Brasil defenda com unhas e dentes seus mercados. E isso nós ainda não aprendemos. O Brasil é visto lá fora como muito bonzinho. Na verdade, é considerado no mundo um País babaca, porque todo mundo faz o que quer aqui dentro", desabafa.
Na presidência da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Pratini de Moraes diz que o agronegócio continua sendo o grande gerador de divisas na composição do saldo da balança comercial brasileira. "Se amanhã o agronegócio ‘negar fogo’, o saldo vai virar um déficit", avisa, reiterando que o Brasil é a última reserva agrícola no mundo. "O mundo precisa do Brasil para comer", ressalta, lembrando que o País explora apenas 0,5% do total de áreas cultiváveis de seu território. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida a este jornal durante sua passagem por Caxias do Sul, na serra gaúcha.
Gazeta Mercantil - Quais os pontos positivos do governo Lula até agora no sentido de apoiar as exportações?
Pratini de Moraes - A criação do G-20 foi positiva, apesar de que os resultados práticos ainda não aconteceram, mas foi uma tratativa importante para o Brasil em termos de articular os países beneficiários pela Rodada de Doha em torno de uma posição mais consistente.
Gazeta Mercantil - O que deixou de ser feito?
Pratini de Moraes - Uma política mais agressiva, no sentido de defender o acesso do Brasil a certos mercados. Em face do fracasso de Doha, não houve disposição de fazer acordos bilaterais ou regionais. O Brasil tem que fazer o que for mais importante do ponto de vista comercial e pragmaticamente. Se a solução for um acordo bilateral, faz e deixa o Uruguai fazer também. Não podemos continuar subordinando o comércio internacional a interesses políticos ou ideológicos.
Gazeta Mercantil - Devemos continuar seguindo a linha de exportar bens com valor agregado maior ou commodities?
Pratini de Moraes - Tem que ser como os EUA. Ser exportador de produtos com valor agregado e de commodities. O que não pode (e está acontecendo hoje por causa da taxa de câmbio) é uma indução a aumentar produtos com menor valor agregado. O grande problema da atual política econômica é que ela induz o País a exportar mais matéria-prima. Isso não é bom. Até a política tributária penaliza a exportação de produtos industrializados.
Gazeta Mercantil - Quais seriam os nossos desafios imediatos, então?
Pratini de Moraes - Maior agressividade no mercado internacional na defesa do mercado brasileiro. Tem que ser na base do toma-lá-dá-cá. É a única regra que funciona. Lembram do vinho chileno? Proibi a entrada porque eles não queriam o nosso frango. Só funciona assim. É preciso que o Brasil defenda com unhas e dentes seus mercados aplicando nos países que nos restringem o mesmo tipo de restrição. E isso o Brasil não aprendeu. Somos vistos como muito bonzinhos. Na verdade, somos considerados no mundo um país babaca, todo mundo faz o que quer aqui.
Gazeta Mercantil - Perdemos quatro anos?
Pratini de Moraes - Os outros países estão fazendo acordos. Nós, não. Estamos perdendo uma extraordinária chance para crescer quando todo o mundo cresce. Um dos erros é a carga tributária brutal e uma extraordinária confusão tributária, que faz com que as empresas tenham medo de fazer alguma coisa, porque nunca conseguem estar em dia com o Fisco. O Brasil é o que gasta mais tempo para pagar impostos no mundo: 2,8 mil horas/ano.
Gazeta Mercantil - Como o senhor analisa a Lei Kandir?
Pratini de Moraes - Ela foi solução para produtos primários. Mas não temos que discutir esta questão em nível de produto primário. Precisamos institucionalizar a imunidade tributária na exportação. No mundo inteiro exportação não é tributada. O Brasil insiste em tributar e não discutir o assunto. Daí o nosso atraso. A Constituição de 1988 definiu o Brasil como um país ingovernável. E do ponto de vista tributário provocou esta balbúrdia que está aí. Não temos que discutir soluções tópicas. A Lei Kandir foi uma solução tópica, para apoiar os exportadores de soja.
Gazeta Mercantil - Como seria a transição para este modelo de imunidade tributária?
Pratini de Moraes - Acaba com o seguro sobre as exportações e promove o crescimento do País. E crescendo, está resolvido o problema tributário.
Gazeta Mercantil - Como ficam estados que dependem destes recursos?
Pratini de Moraes - Bem, então vamos continuar com soluções tópicas para acertar aqui e ali. É a opção pelo não-crescimento. Eu defendo a opção pelo crescimento, e onde andei promovi o crescimento econômico.
Gazeta Mercantil - O senhor realmente considera uma medida viável?
Pratini de Moraes - Para mim, só não é viável aquilo para o qual não se tem coragem. O que está faltando para o Brasil é coragem, audácia e firmeza para fazer mudanças que reconduzam o País na rota do crescimento econômico.
Gazeta Mercantil - Como traduzir coragem e audácia?
Pratini de Moraes - Não funciona Doha? Vamos fazer acordos bilaterais ou regionais. Estamos com isso há quanto tempo? Doha começou na minha época. Fui um dos que redigiram (o texto) às quatro horas da madrugada, no Catar.
Gazeta Mercantil - O saldo comercial exibido pelo presidente Lula tem alguma consistência?
Pratini de Moraes - Saldo da balança comercial é decorrência do não-crescimento econômico. O Brasil tem estes saltos porque não cresce. Se tivesse crescido estaria importando mais. Além de máquina, o que o Brasil está importando? Está aumentando a importação de vinho, calçado, produtos de luxo e alguma coisa de matéria-prima. O Brasil importaria mais se estivesse com a economia crescendo.
Gazeta Mercantil - O mundo vai continuar mantendo o nível de crescimento por mais quanto tempo?
Pratini de Moraes - Não faço projeções em nível mundial acima de um ano, mas em 2007 vai continuar crescendo. O preço do petróleo não vai subir, deve continuar o processo de queda iniciado agora.
Gazeta Mercantil - Quais lições o Brasil ainda precisa aprender?
Pratini de Moraes - A primeira é valorizar nossas coisas, nosso vinho, nossa cachaça, o nosso boi. Se valorizarmos aqui os caras lá fora também farão. O marketing começa pela valorização na nossa terra. Outra coisa: temos que aprender, principalmente nas commodities, que, se você aumentar demais a oferta, derrubará o preço e será ruim para todo mundo. Precisamos nos disciplinar para conter a oferta ao nível que evite a queda de preços, de modo que todo mundo tenha vantagem.
Gazeta Mercantil - E como o senhor projeta o Brasil no ano que vem?
Pratini de Moraes - O que vamos assistir não terá nada a ver com taxa de câmbio ou exportações. Com a redução dos juros, a prestação do imóvel se aproximará do valor do aluguel. Com isso deve acontecer um grande incremento na construção civil, inclusive para classes menos favorecidas. Isso ajudará o crescimento da economia, mas não será suficiente para levar o PIB a 4% ou 5%. A estrutura de investimento no Brasil indica crescimento entre 3% e no máximo 4%, que é claramente insuficiente para atender as aspirações da sociedade.
domingo, 5 de novembro de 2006
Lula se fez de vítima para ser reeleito
Veja aqui entrevista do marqueteiro do Apedeuta ao jornalista petralha Fernando Rodrigues,da Folha
domingo, 22 de outubro de 2006
entrevista com Tasso Jereissati em O Globo
A uma semana do segundo turno, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), reconhece que o partido foi surpreendido pela onda de boatos disseminada pelo PT de que o candidato Geraldo Alckmin iria privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Petrobras e os Correios.
Tasso afirma que o fantasma da privatização foi usado especialmente no Centro-Sul para atemorizar a classe média. O senador chega a traçar um paralelo da ação petista com o que foi feito por Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do nazista Adolf Hitler. A aposta agora é que surja um fato novo bombástico nas investigações do dossiê contra os tucanos, ligandoo ao presidente Lula e sua campanha.
O GLOBO: O que provocou essa surpreendente subida de Lula no segundo turno?
TASSO JEREISSATI: Atribuo à dinâmica da campanha com uma enorme onda de boatos patrocinada pelo candidato Lula, o maior especialista em mentiras que este país já conheceu.
Essa última, de privatização do Banco do Brasil, Petrobras, Correios e Caixa Econômica, realmente amedrontou setores da classe média que ainda se assustam diante da palavra privatização, que estranhamente só foi demonizada pelo PT e o Lula agora na campanha.
Estranhamente, porque o maior projeto de privatização já engendrado por um governo é o das PPP (Parcerias Público-Privadas), defendido de maneira apaixonada pelo presidente e seus ministros, que privatizaria setores estratégicos como estradas, aeroportos e até hospitais.
Que garantias o PSDB pode dar de que esse projeto não será retomado?
TASSO: A credibilidade do candidato dá essa garantia. A força muito bem articulada do PT de trabalhar na mentira, como uma orquestra em que todos repetem a mesma coisa ao mesmo tempo, faz com que essa mentira seja difícil de se perceber.
Assim como Goebbels (Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler) fez durante o nazismo.
O PSDB não soube reagir?
TASSO: Se houve erro foi o de não estarmos preparados, embora soubéssemos que o Lula e o PT eram capazes de mentir muito bem, para essa avalanche coordenada e bem orquestrada de boatos que espalharam. No caso do Nordeste, foi o de que vamos acabar com o Bolsa Família. No Centro-Sul, assustaram a classe média com a história da privatização.
Qual a estratégia para a reta final?
TASSO: Temos dois debates e espero que a população assista. Não vão ser debates em que pretendemos ganhar argumentos, mas só trazer à tona verdades. Espero que a verdade venha a prevalecer, não só nessas questões específicas que foram inventadas, mas também nas questões do dinheiro do dossiê.
A aposta é por novo erro dos adversários?
TASSO: Surgiu agora um fato grave, de que parte do dinheiro (do dossiê) veio de um bicheiro chamado Turcão. Isso é prova de uma maneira definitiva da ligação do partido e do governo direta com o submundo do crime. Nós sabemos que ao lado do jogo do bicho estão as drogas, a pistolagem e a bandidagem.
Confirmada essa revelação, estaremos diante de um dos momentos mais negros que um governo brasileiro já viveu.
Há o temor de que novos ataques da facção criminosa prejudiquem a candidatura?
TASSO: Temos essa preocupação.
Se o dinheiro do dossiê era do bicheiro Turcão, todos os rumores da simpatia do PCC pelo PT deixam de ser rumores.
O senhor concorda com o presidente da OAB, Roberto Busato: o clima de confronto estimula uma guerra de classes?
TASSO: O que o presidente da OAB teme é o clima que o presidente Lula está estimulando perigosamente a divisão do Brasil entre ricos e pobres. Mais uma vez usando da maestria da mentira, está colocando na cabeça dos menos informados que a origem desses escândalos seria um complô dos ricos contra os pobres.
Esse clima de confronto pode arrefecer depois das eleições?
TASSO: Acho que pode perdurar. Meu receio é que vá se agregar a uma situação econômica difícil. O governo gastou mais do que podia, deu aumentos maiores do que podia, se comprometeu com obras que não existem e não vão ser feitas por falta de recursos, e quem quer que assuma o governo vai ter de consertar esses desvios feitos no ano eleitoral.
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
O País que não sabe eleger
Na posição de quem já estudou exaustivamente a história político-econômica do Brasil, suas crises e seus presidentes, como o senhor avalia o desempenho do presidente Lula?
Eu acho que na comparação com os outros presidentes, Lula é uma tragédia. Ele deixou a impressão de que a corrupção penetra em todas as instâncias do governo. Simplesmente abalou a legitimidade do Planalto perante o público. É uma pena. Lula começou com muitas idéias boas e com muito apoio popular. Mas sua base de governo acabou buscando o caminho errado para comandar a selva do Congresso: a propina. Talvez ele ache que isso tenha sido feito por todos os presidentes, e é bem possível que esteja certo. O problema é que coisas como o “mensalão” vieram à tona na gestão dele, e não nas anteriores.
Leia a entrevista na íntegra aqui
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Entrevista de Alckmin no Estadão
Eu entendo que na segunda etapa nós temos condições de ampliar mais junto aos eleitores. Vou procurar os que foram candidatos e, especialmente, falar com os eleitores dos demais candidatos. Temos menor rejeição e entendo que podemos crescer mais no segundo turno.O escândalo do dossiê Vedoin e a recente divulgação das imagens do dinheiro foram fundamentais para que chegasse ao segundo turno? Vai continuar explorando a questão ética e exibir no horário eleitoral gratuito as fotos do R$ 1,75 milhão aprendidos com petistas? Eu pretendo fazer uma campanha propositiva. O problema não é só o dossiê, a compra do dossiê, que é algo extremamente grave. É lamentável que 15 dias depois não se tenha o dono das contas, a origem do dinheiro, a origem do dólar, nada explicado. Nada explicado. O governo Lula, o Lula e o PT têm o dever de prestar contas à sociedade. Agora, não é só esse fato, é a seqüência. Tudo o que aconteceu nesses últimos anos, que mostra de um lado um perfil autoritário por parte do Lula e do PT e, de outro lado, mostra esse vale-tudo pelo poder. Hoje é inseparável essa mistura de governo do Brasil com PT. Isso é um atraso. Partido, o nome já diz, é pedaço. E governo é para o todo.Sua ida para o segundo turno se deu mais por conta do senhor ou pela desesperança e pelo descrédito do povo em relação ao governo Lula? Acho que é uma somatória de fatores. Você tem uma combinação das duas coisas. Eu sempre disse que é reeleito governo que tem um grande projeto, o que poderia justificar a reeleição. Um grande governo, não deu para terminar, então, você tem um grande projeto. O governo atual mal terminou o mandato. Crise em cima de crise e não tem projeto nenhum, a não ser projeto de poder.
O sr. teme que no segundo turno haja uma guerra de dossiês ou que o PT investigue com profundidade seu governo em São Paulo? Não temo nada.Teme alguma denúncia?
Eu tenho 30 anos de vida pública com a mesma coerência e o mesmo comportamento. Podem investigar o que quiserem. Eu não tenho medo de cara feia, não.Qual vai ser o espírito do segundo turno? Vamos trazer de volta a esperança para o povo brasileiro. Recuperar a frustração toda que aconteceu no governo Lula. Vai ser uma campanha de fortes emoções.Embora ressalte que pretende fazer uma campanha propositiva não há como negar que o fato de sua campanha ter lembrado dos escândalos do governo Lula foi importante? O centro da campanha não será isso. Serão as propostas para o Brasil. Tenho absoluta confiança de que o Brasil pode ir muito melhor. Primeiro, do ponto de vista ético. Não é possível ter tanto escândalo em um governo só. Segundo, sob ponto de vista da eficiência, da qualidade dos serviços públicos, é possível melhorar e muito a educação, a saúde e a segurança pública. Terceiro, do ponto de vista do crescimento.O Brasil não pode continuar com essa receita de aumentar gasto corrente, aumentar imposto e cortar investimento. Não vai crescer desse jeito. É preciso inverter, fazer o ajuste fiscal, reduzir gasto corrente, reduzir impostos analisando as cadeias produtivas e aumentar investimento, ou seja, a agenda do crescimento.O sr. mencionou que vai procurar os outros presidenciáveis para apoio no segundo turno.
O que será feito para atrair Cristovam Buarque (PDT) e Heloísa Helena (PSOL) para seu palanque?
Eu vou procurar todos os contatos. Eu respeito muito os partidos políticos. Essas conversas devem ser partidárias, por meio do nosso presidente, Tasso Jereissati, e dos presidentes dos partidos. Eu acho importante respeitar os partidos e fortalecer partido político e os candidatos. E eu mesmo também vou procurar. Política é conversa. Em torno de programa, de princípios, valores. E não só vou procurar os candidatos como os demais partidos.Vai buscar uma aproximação com o PMDB? Mas é claro.Como vai ser? O PMDB que está vencendo é o PMDB que não é do Lula. O PMDB do Lula é o que está sendo derrotado. Newton Cardoso, Jader Barbalho, Ney Suassuna. Esse é o PMDB do Lula.
Quais outros partidos considera importante?
Quero conversar com todos. PV, PDT. Todos os partidos eu vou procurar conversar.Durante o primeiro turno muitas críticas foram feitas à sua campanha, principalmente na TV, de que faltava um tom mais agressivo em relação ao seu adversário. E isso só veio na reta final. O segundo turno começa também em um tom mais agressivo? Eu tenho dito que uma campanha não pode ser errática. Campanha precisa ter um rumo. Entendo que a parte mais dura nós já ultrapassamos, que foi chegar ao segundo turno, vencendo todos os descréditos. Agora, é esperança, confiança no Brasil. O Brasil não pode perder mais quatro anos. O Lula teve sua chance e deixou passar. Perdeu a oportunidade.Um segundo turno entre Lula e Alckmin. A presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ajuda ou atrapalha? Sempre ajuda. Agora, nós estamos discutindo é o futuro, são os próximos quatro anos. É quem pode fazer mais no governo federal. Quem pode fazer mais nos próximos quatro anos? É essa a pergunta e quem vai responder é o povo no segundo turno. Eu tenho absoluta confiança que nós vamos como conquistamos, passo a passo, degrau a degrau, como conquistamos a confiança dos brasileiros para chegar ao segundo turno contra uma máquina do governo utilizada de forma desavergonhada, mesmo assim nós chegamos. Nós vamos chegar e ganhar a eleição.No segundo turno espera empenho dos já eleitos governadores José Serra e Aécio Neves? De todos. Serra, Aécio, Luiz Henrique, Arruda, André Puccinelli. Já temos eleitos mais de dez governadores.Que tipo empenho o sr. espera. Mais do que eles fizeram no primeiro turno? Não. Todo mundo se empenhou. Mas é claro que cada um teve de cuidar de sua campanha. Agora, os que já estão eleitos podemos fazer um trabalho maior. Eu vou calçar de novo minha sandália da humildade. A eleição é sempre disputada. Não há eleição fácil e é bom que seja disputada. Quem ganha é o povo. Quem ganha é o eleitor com a comparação, as propostas, com o contraditório. Isso é positivo. É bom.Quando teve certeza de que iria para o segundo turno? Médico tem olho clínico, né? É a rua. Você percebe quando você está criando uma sintonia, você está no mesmo canal. Está criando uma empatia. E a outra é a curva. Eu sempre disse que pesquisa é o retrato do momento. O que interessa é curva. Eu já vivi isso em 98 na campanha do Mário Covas. Ele perdeu a noite inteira e foi para o segundo turno em uma virada de madrugada e depois colocou 2 milhões de votos de frente no segundo turno. É preciso ter fé, confiar nas pessoas. Eu tenho fé e confiança. Percorrendo o Brasil, como eu percorri, a gente vê o quanto de coisas têm por fazer. O quanto a máquina federal está atrasada sob o ponto de vista de gestão. E quanto tem de desperdício, dinheiro jogado fora. Inacreditável. São 3 mil obras paradas. O povo pagando para a obra não ser concluída, custando o dobro do preço. Um absurdo. Aí está o resultado. 40% do PIB de carga tributária, 38% e não tem dinheiro para nada.
O sr. se considera um homem de sorte?
Política é destino. (Alckmin sorri).
sábado, 30 de setembro de 2006
Entrevista:Marco Aurélio de Mello
Em entrevista , Marco Aurélio prevê que 100% dos votos terão sido apurados na madrugada de domingo. Ele pretende anunciar o resultado oficial na manhã de segunda-feira. Leia abaixo a entrevista:-Algum imprevisto?
Não, está tudo tranqüilo, correndo como o previsto. Aguardamos apenas a votação e a apuração no domingo.
- Quando o país conhecerá o resultado das eleições presidenciais?
Por volta das 22h, 23h de domingo teremos cerca de 70% dos votos apurados.
- Com 70% já dá para saber o resultado?
Talvez não. Depende muito dos colégios que terão alimentado o sistema de apuração até esse momento.
- Quando teremos 100% dos votos apurados?
Ao longo da madrugada teremos isso, se não houver nenhum incidente.
- A que horas será feita a comunicação oficial?
Será comunicado por mim, já na manhã de segunda-feira, depois que o sítio do TSE já estiver estampando o resultado.
- Não há hipótese de ocorrer no próprio domingo?
Não creio que haja espaço para isso. Isso será à luz do dia, já com o conhecimento pela veiculação via informática. Se a apuração não estiver encerrada, teremos a divulgação parcial, mas não com uma palavra oficial do tribunal.
- A que horas o tribunal começa a divulgar a apuração?
Em relação ao pleito presidencial, só poderemos fazê-lo depois de 19h, horário de Brasília. É quando encerra a votação no Acre e numa parte do Amazonas, que têm fuso diferente. O peso eleitoral desses lugares é pequeno, são 412.840 eleitores, 0,0328% do eleitorado, mas não podemos divulgar antes do encerramento total.
- Acha que a divulgação das notas que seriam usadas para comprar o dossiê terão reflexos eleitorais?
Depende do acesso do eleitorado a esses fatos. Foi veiculado que havia esse dinheiro. Agora surgem as fotografias. É uma incógnita.
- E quanto à investigação aberta pelo TSE no caso do dossiê, acha que tem influência no processo eleitoral?
No campo jurídico, não. No campo da repercussão junto aos eleitores vai depender de cada eleitor.
O sr. vota em Brasília?
Sim. Eu votava no Rio mas transferi o meu título de eleitor para cá. Cortei, até certo ponto, as amarras com o Rio. Só não abandonei o meu Flamengo e a minha praia.
- Como eleitor o sr. acha que seria conveniente que houvesse segundo turno?
Eu penso que, de certa forma... Eu já ia cometendo um ato falho. Olha, vou dizer apenas uma coisa: o seu pensamento é o meu.