Segundo uma pesquisa da Folha de S. Paulo , 47% dos brasileiros se dizem de direita e só 30% de esquerda; e entre os 23% restantes, que se definem como centristas, predominam amplamente as posições conservadoras em matéria de moral e segurança pública. Por que não existe então um partido conservador para dar expressão política a essa opinião majoritária? Por que, num país de direitistas, a última eleição presidencial foi disputada entre quatro esquerdistas? A coisa mais óbvia do mundo é que uma plataforma conservadora teria o apoio maciço do eleitorado. Por que ninguém tem a coragem de levantar essa bandeira?
A resposta está no mesmo jornal. Segundo sua edição de 14 de agosto, a 4ª edição da Festa Literária Internacional de Parati , com um público total estimado em 12 mil pessoas, foi uma orgia de vociferações esquerdistas e anti-americanas. “Até aí, sem novidades”, comenta a Folha : “Desde sua primeira edição, em 2003, a Flip sempre reuniu autores e público que não hesitam em esbravejar contra os EUA. ‘Noventa e nove por cento das pessoas que vêm para festivais como esse pensam assim’, disse o escritor inglês Christopher Hitchens.” Será preciso mais para comprovar o abismo que se abriu entre a nação brasileira e a miúda elite falante que domina as instituições de cultura, a educação e a mídia?
Para não dizerem que tomei birra com a Folha , vejam o caderno Prosa & Verso de O Globo . Boa ou ruim, é uma publicação cultural importante, expressa as preferências dos medalhões acadêmicos.
Vejam os escritores que aparecem na edição de duas semanas atrás. Fora o próprio Hitchens, um esquerdista que irrita um pouco os seus pares por não ser apaixonado pelo Hezbollah, e Jorge Amado, que o jornal lembra sobretudo como vítima de perseguições anticomunistas na juventude, aparecem: Ricardo Piglia (do Partido Comunista Argentino); Tariq Ali (ídolo do esquerdismo mundial); Mourid Barghouti (apologista dos palestinos); Alonso Cueto (autor de um livro sobre as maldades cometidas pelos militares peruanos contra os pobres terroristas do Sendero Luminoso ); Mário de Carvalho (militante histórico do Partido Comunista Português e admirador devoto do stalinista Álvaro Cunhal); Olivier Rolin (militante maoísta); Faïza Guène, jovem escritora de origem argelina autora de choradeiras quanto à condição dos árabes na Europa, onde eles respondem com bombas ao Estado malvado que lhes dá ensino e assistência médica.
Todas as seções culturais dos jornais do Rio e de São Paulo são assim: propaganda esquerdista ostensiva, interbadalação desavergonhada entre os politicamente corretos. Nessa atmosfera, todas as opiniões conservadoras, sem exceção, são marginalizadas e criminalizadas como “extremismo de direita”. Mas, ante os políticos e os líderes empresariais brasileiros, essa troupe de palhaços desfruta de uma autoridade verdadeiramente eclesiástica.
Os homens práticos, incapazes de entender do que os papagaios estão falando, curvam-se diante deles em sinal de temor reverencial, acreditando que eles estão mesmo falando de alguma coisa. É ridículo, mas é verdade. O destino do Brasil está nas mãos de homens ricos e poderosos que tremem como donzelas pudicas diante dos tagarelas cínicos e semiletrados que dominam o meio intelectual provinciano.
Resultado: um povo conservador não tem políticos conservadores e líderes empresariais conservadores que o representem porque todos estão psicologicamente seqüestrados por uma claque subintelectual grotesca. Até quando?
Olavo de Carvalho Mídia sem máscara de 18 de agosto de 2006
"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo."
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