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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Protesto contra o apagão governamental reúne 6500 em Sampa







Aos gritos de “Fora, Lula”, “Justiça” e “Respeito”, aproximadamente 6.500 pessoas, segundo a Polícia Militar, fizeram ontem uma caminhada de protesto, seguindo do Parque do Ibirapuera até o Aeroporto de Congonhas, com as famílias das vítimas do vôo JJ 3054 da TAM. O destino do ato foi o terminal de cargas da TAM Express, atingido pelo Airbus no dia 17 de julho, matando 199 pessoas. Os manifestantes depositaram flores diante do prédio, no momento mais dramático do protesto. Muitos parentes de vítimas nunca tinham ido ao local e ficaram emocionados. As famílias choraram abraçadas.

A manifestação começou às 9h20m, debaixo de garoa e frio. Com roupas pretas, faixas, placas e nariz de palhaço, os paulistanos carregavam flores e um vocabulário afiado contra o governo federal. Um dos slogans gritados era: “Relaxa e vaza”, em alusão à ministra do Turismo, Marta Suplicy. O senador Renan Calheiros também foi lembrado.“Fora, Renan, Fora, Renan!”, gritavam os manifestantes.

Mãe de três filhos pequenos, Flávia Caltabiano, de 28 anos, viúva do empresário Pedro Caltabiano, que morreu com o irmão no vôo da TAM, fez um dos discursos mais comoventes.

— Quero pedir justiça para esse governo. Que ele não seja negligente.

Ninguém do governo me procurou.

Ninguém da TAM me procurou.

Lula, o que você tem a dizer pra mim?— falou Flávia, com a voz baixa, toda de preto.

O cantor e compositor Seu Jorge discursou do alto do carro de som e também atacou as autoridades.

— Não vamos tolerar mais. Nós vamos ter de pedir a cabeça dessa gente. Fora, fora, fora! Depois é o favelado que não tem educação? Fazendo gesto obsceno na televisão para o nosso filho ver?— discursou Seu Jorge (cantor a compositor), referindose ao gesto obsceno feito pelo assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, flagrado pela TV Globo ao comemorar o fato de o “Jornal Nacional” ter apontado problemas do reverso danificado do Airbus A-320 da TAM como uma das causas do acidente, o que reduziria a responsabilidade do governo federal no acidente.

Sugestão para ficar um dia sem voar

O cantor e compositor Seu Jorge disse ao GLOBO que a mobilização foi organizada em quatro dias, sem influência partidária. Morador de São Paulo há quatro anos, Seu Jorge já transferiu seu título de eleitor para a cidade, mas não votou nas últimas eleições porque estava fora do país.

Disse ter votado em Lula no primeiro mandato, mas afirmou estar decepcionado com o presidente: — Fui convidado a fazer parte (do protesto) e quis vir. A indignação do povão é muito grande, e o momento é oportuno. Era um momento bom para que a gente pudesse ter a atenção das pessoas. Vim como cidadão.

Isso aqui não é um golpe. Não é um partido político.

Principal organizador do protesto, o empresário Marcio Neubauer, presidente da CRIA (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante), lançou o dia “pé no chão”. A idéia é que em 18 de agosto, um sábado, as pessoas boicotem aeroportos e companhias aéreas e deixem de voar. A menção ao dia sem vôo foi uma das poucas feitas às companhias aéreas, além de raras vaias aos aviões que passavam sobre as cabeças dos manifestantes.


O protesto de ontem era, sobretudo, contra o governo federal.

Embora tenha sido organizada em poucos dias, a manifestação contou com camisetas pretas com o slogan “A sociedade exige respeito” e um jingle bem-acabado, além de assessoria de imprensa. O jingle acabou substituído por “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, cantada por Seu Jorge.

No fim do protesto, o choro da filha de Fernando de Oliveira, uma das vítimas do avião da TAM, comoveu manifestantes, jornalistas e fotógrafos.

Renata completou 16 anos ontem e ainda não conseguiu identificar o corpo de seu pai. Viu, ontem, o lugar do acidente pela primeira vez.

Pediu justiça e o fim do descaso.

— É muito triste saber que uma pessoa que se ama muito morreu neste lugar e por irresponsabilidade.

De quem eu não sei, não me interessa.

Eu escutei o nome do meu pai na lista (de passageiros e mortos) pelo rádio — disse a garota.

Outra organizadora do protesto, a presidente da Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos, Sandra Assali, afirmou que os parentes insistiriam na suspensão da implosão do prédio.

Sandra teme que haja mais corpos sob os escombros.

A implosão do prédio da TAM Express estava marcada para as 13h de ontem, mas foi suspensa porque a empresa não obteve as autorizações necessárias para a demolição.

Apenas ontem o Instituto de Criminalística encerrou as buscas por restos mortais de vítimas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram achadas partículas orgânicas microscópicas por meio de aparelhos que emitem luzes especiais. As partículas foram levadas ao Instituto Médico-Legal. Até ontem, haviam sido identificadas 110 vítimas. A instituição está entre as corporações homenageadas ontem pelos manifestantes, ao lado da Polícia Militar, dos Bombeiros e da Defesa Civil.

Para a TAM implodir o prédio, que está condenado, segundo a Defesa Civil, é necessária a liberação por parte das autoridades da Infraero, Aeronáutica, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, responsáveis pelas investigações, além da própria Defesa Civil.

Por volta das 6h20m de ontem, três homens foram presos em flagrante por entrarem no local do acidente e picharem o prédio. Dois homens foram liberados e outro ficou preso. Era um pichador reincidente. Entre outras frases, eles picharam “O Brasil é isso” e “Várias vidas aqui”.

Estamos assistindo aos funerais da nossa nação e do nosso pudor Renata Ribeiro da Luz, professora

Chega, basta. Há dez meses caiu um avião por um apagão, um buraco negro. Até quando? Josmar Gomes, irmão de Mário Gomes, morto no vôo JJ 3054

Presidente, honra tua faixa presidencial sobre o túmulo do meu marido Faixa afixada na rua por Lili Mello, viúva de Andrei François Mello, de 42 anos, consultor de marketing

4 comentários:

CAntonio disse...

Não dizem, mas deve ser sim um golpe contra o desgoverno Lulla.

Já passou da hora de tirarmos o tiranete.

SDS.

Malbert de Brasilia disse...

o conde von Stauffenberg tentou matar Hitler em 1944, atentado que acabou abortado. Caso Stauffenberg teria tido sucesso, como teria sido visto: como um heroi que derrubou o tirano, ou como um golpista, que derrubou um chefe de estado livremente eleito?

Anônimo disse...

Nota-se, a democracia é muito jovem em nosso Pais.
Golpe contra desgoverno? Vamos tirar ele de lá?
Pobres crianças sonhadoras, aspirantes à democratas.Vcs precisam mesmo é de uma ditadura braba, daquelas que fazem e desfazem enquanto vcvs se arrepiam todinhos...No fundo vcs querem um Borhausen no poder.

alexandre, the great disse...

Kozel.

Não precisamos fazer nada diferente do que esta "elite do poder" fazia quando eram mais jovens e oposição.
Talvez jogar um caminhão desgovernado e cheio de explosivos contra o Palácio do Planalto, como fizeram contra Mário Kozel Filho, que tal?


Alexandre, The Great