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sexta-feira, 10 de julho de 2009

CPI URGENTE

A infiltração do movimento sindical abrigado no PT no mundo das altas finanças já não era novidade quando uma voz insuspeita, imune a patrulhas, chamou a atenção para o surgimento de uma "nova classe".

O ano era 2003, o primeiro da gestão Lula, quando o sociólogo Francisco (Chico) de Oliveira, fundador do próprio PT, um dos que ergueram barricadas intelectuais contra a ditadura no Cebrap, ao lado de FH e outros, apontou para essa estranha metamorfose:


Sindicalistas que, por meio da militância, chegavam à direção e aos conselhos de fundos de pensão de estatais, por onde circulam bilhões, e assim perdiam suas antigas raízes sociais.


Passavam a defender projetos pessoais e/ou políticos sem qualquer relação com os interesses dos trabalhadores.


Com o governo Lula próximo de completar oito anos, aquela "nova classe" ganhou ainda mais espaço, como mostrou reportagem publicada domingo pelo GLOBO sobre a infiltração de sindicalistas na alta administração da Petrobras.


O salto que deram militantes sindicais para ocupar postos-chave em fundos de pensão de empresas públicas ocorreu na estatal, mas foi além da Petros, caixa de seguridade dos funcionários da companhia.

Na petroleira, maior empresa da América Latina,
sindicalistas exploram também o filão da área de comunicação institucional, têm presença na presidência, lançaram ramificações na área de recursos humanos, em gerências do setor de gás, bem como na subsidiária Transpetro.

Não é exagero dizer que a Petrobras se assemelha a uma "república sindical".

O modelo de aparelhamento da empresa é o mesmo que se observa no Incra e no Ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, entregues, como capitanias hereditárias, ao MST e a outros ditos movimentos sociais.


A grande diferença em relação à estatal é o poder que ela, pelo tamanho e volume de recursos que mobiliza, concede aos sindicalistas.


Mesmo sendo uma empresa de capital aberto, obrigada a prestar contas a milhares de acionistas, a estatal é um instrumento a serviço de projetos do governo Lula, sem qualquer relação com as atividades fins da companhia - financia-se de festas de São João ao MST.

À medida que se aproximarem as eleições de 2010, ficará mais visível o que é subordinar o Estado a um projeto de poder.

Será vital a vigilância do Poder Judiciário, do Ministério Público e das próprias organizações da sociedade para evitar que esta "privatização" de parte do Estado distorça o jogo democrático

sábado, 24 de janeiro de 2009

NÃO, MINISTRO, A ITÁLIA NÃO É NÓIS!



Na Copa do Mundo de 1982, quando a fabulosa seleção brasileira foi surpreendentemente derrotada pela Itália, a "Gazzetta dello Sport" abriu a manchete histórica e hilariante: "Il Brasile siamo noi."

Agora, além do governo, do Judiciário, da imprensa e das famílias das vítimas de Cesare Battisti, os italianos de todos os times e partidos políticos estão se sentindo comparados a uma ditadura sul-americana. Perderam o humor e estão justamente insultados porque Tarso Genro e Lula estão achando que "a Itália é nóis".

Com sua autoridade em leis italianas, nosso ministro fez um julgamento soberano e devastador do seu sistema judiciário, da justeza dos processos e das condenações, e do respeito aos direitos dos acusados. Que, ao contrário de nós, eles muito prezam e respeitam.

Pena que o nosso impetuoso humanista ignore que o crime com motivação política é um agravante na Itália. Claro: roubar e usar o dinheiro para matar ou derrubar governos eleitos é mais grave do que para uso próprio. No Brasil, é justificativa para tudo, na tradição de nossa "esquerda revolucionária": a nobreza da causa, os fins justificam os meios, é tudo em nome do povo e da liberdade (sic).

Não, ministro, a Itália não é nóis. Tem uma tradição democrática e judiciária muito mais sólida do que a nossa, não recorreu ao terrorismo de Estado, a tribunais de exceção, prisões ilegais e torturas, mesmo nos "anos de chumbo". O Estado italiano apenas se defendia de movimentos que queriam derrubar o governo democrático pelas armas e instalar... nem eles sabiam o quê.

Apoiando Tarso, a tese da marolinha diplomática de Lula: "Temos uma relação tão forte com a Itália que não será um exilado que vai trazer animosidade nem com eles nem com o G-8." Berlusconi, a torcida do Milan, do Inter e da Juventus devem estar pensando a mesma coisa: "O Brasil não vai querer brigar com a Itália e o G-8 só por causa de um terroristazinho."

Criado na cultura do churrasco sangrento, em cavalgada desabrida pelos pampas da História, como um anti-Garibaldi sem Anita, Tarso Genro deve estar pensando que na Itália tudo acaba em pizza.
Artigo de Nelson Motta no jornal O Globo

sábado, 1 de dezembro de 2007

Cai a máscara do ditador insano

Chávez vai parar exportação e fechará TVs se referendo não for reconhecido


Centenas de pessoas chegaram mais cedo às ruas de Caracas pela manifestção de apoio à reforma constitucional de proposta por Chávez - EFE

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse, nesta sexta-feira, que fechará emissoras de TV, expulsará jornalistas e suspenderá a exportação de petróleo aos Estados Unidos caso a vitória que prevê colher no referendo de domingo sobre a reforma constitucional não for reconhecida.

- Juro por Deus e pela minha mãe que não vamos permitir isso - ressaltou no discurso de encerramento da campanha a favor do "sim" para as reformas constitucionais que promove.

O pronunciamento ocorreu diante de dezenas de milhares de seus partidários, vestidos de vermelho e levando bandeiras nacionais e cartazes, que se concentraram na Av.Bolívar, a principal avenida do centro de Caracas, marcando o fim da campanha a favor da reforma constitucional. A "maré vermelha", como os governistas chamam suas concentrações, invadiu a Avenida Bolívar , que, na quinta-feira, foi palco de outra grande concentração, mas da oposição, que fechou sua campanha pelo "não".

- Agora, sim, a Avenida Bolívar está cheia de gente - disse o presidente em discurso na passeata. - Hoje é o dia da Venezuela, o dia da pátria. No domingo, daremos um novo locaute nos esquálidos, na oligarquia, nos que pretendem que a Venezuela volte a ser uma colônia americana", disse Chávez.

" Quem vota pelo 'sim' está votando por Chávez. Quem vota pelo 'não' está votando por George W. Bush "

Segundo ele, até há poucos anos, a Venezuela era um país escravizado, dominado pelos Estados Unidos e pela oligarquia crioula.

- Quem vota pelo 'sim' está votando por Chávez. Quem vota pelo 'não' está votando por George W. Bush. Essa é a verdadeira confrontação que temos.

A chamada "grande concentração em apoio ao 'sim' - o último protesto antes do plebiscito, que acontece domingo - transcorreu em um ambiente de alegria. Vendedores de livros e camisetas do líder revolucionário Ernesto Che Guevara, do presidente cubano Fidel Castro e do próprio Chávez compunham o cenário ao longo da Avenida Bolívar, onde os manifestantes aguardavam o presidente para o discurso de encerramento da campanha.

( Veja as fotos da manifestação pelo "sim" )

Estima-se que mais de 16 milhões de venezuelanos irão às urnas para definir se 69 artigos da Constituição de 1999 serão modificados ou não. As mais recentes pesquisas de intenção de voto mostram que não há favoritismo nem para o 'sim' nem para o 'não' no referendo.

Desde as primeiras horas de sexta-feira, as avenidas Bolívar e Lacuna, em Caracas, concentravam grupos de manifestantes que apóiam a Reforma Constitucional proposta pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O Presidente Hugo Chávez acena para a multidão reunida na Av.Bolívar, em Caracas_Agência Reuters

Na quinta-feira, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas da capital para realizar o último protesto contra a reforma . A gigantesca manifestação reuniu estudantes e representantes de todos os grupos políticos de oposição. ( Veja as fotos da manifestação pelo "não" )

De acordo com o jornal venezuelano "El Universal", em diferentes pontos da capital são vistos ônibus de diversos estados do país com simpatizantes do governo de Chávez vestidos com camisas e gorros vermelhos e com frases de apoio à reforma constitucional.

As mudanças na Constituição serão aprovadas no domingo? Vote!

Em Caracas, deputados brasileiros chegaram na noite de quinta-feira para acompanhar o referendo. De acordo com Aldo Rebelo, o clima nas ruas é de muita disputas, mas não há grandes confusões. Clique aqui, leia a entrevista do deputado e ouça o depoimento do congressita .

Audio Player

Descricao


O atual governo, que pela primeira vez em oito anos vai às urnas sem um claro favoritismo, pretende superar a concentração da oposição e anunciou um discurso de Chávez para o fim da tarde (início da noite no Brasil).

Com a nova constituição, Chávez promete a "revolução na revolução" e a construção do "socialismo do século XXI", com reeleição presidencial indefinida, a criação de uma economia socialista e a constituição de um poder popular baseado em comunidades autogovernadas ( Entenda a reforma constitucional ).

Segundo os opositores de Chávez, a vitória do "Sim" levaria a "Venezuela a amanhecer na segunda-feira sob um regime socialista autoritário, com o poder concentrado nas mãos de apenas um homem que administrará de forma arbitrária as riquezas" do país.


segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O terceiro mandato é real e está bem aceso nas cabeças da cúpula petralha

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), adverte que o enfraquecimento das instituições, especialmente o Legislativo, pode levar uma parcela da sociedade a defender o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, no entanto, afirma que pessoalmente é contra.

Como o senhor vê a articulação de setores do PT para garantir um terceiro mandato para o presidente Lula?

TIÃO VIANA: Há risco disso prosperar se nós estivermos mais fracos como instituição, porque o presidente está consolidado. Ele é uma figura além do tempo da atual política em crise. A sociedade compreende seu governo e sente as conseqüências positivas das diretrizes de sua administração. Os partidos de oposição, que deveriam disputar com grandeza a sucessão de Lula, têm atuado para enfraquecer mais ainda as instituições, especialmente o Legislativo. Isso pode permitir que pessoas, tentadas pela vaidade, queiram levar a sociedade ao debate pelo terceiro mandato. O presidente nega esta intenção. Eu tenho uma tese clara: Um, dois, três, Lula outra vez! Mas em 2014!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Juíza diz que Lamarca desertou e suspende indenização

Reparação suspensa
A juíza Cláudia Maria Pereira Bastos Neiva, da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, decidiu suspender o ato da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que promovia o ex-capitão Carlos Lamarca ao posto de coronel, com soldo de general, e direito à indenização post mortem. Editada no dia 12 de julho pelo governo federal, garantiu à viúva, Maria Pavan Lamarca, reparação econômica de R$ 902,7 mil e direito ao aumento na pensão.

Na decisão, a juíza alega que Lamarca, ex-comandante da Var-Palmares e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), morto no interior da Bahia por tropas do Exército, não foi atingido por "atos de exceção". Segundo ela, sua exclusão do Exército decorreu de abandono, caracterizado na época por crime de deserção. A ação foi movida pelos clubes Militar e da Aeronáutica.

Na sentença, Cláudia Maria diz que é "altamente questionável para pagamento de valores incompatíveis com a realidade nacional, em uma sociedade carente de saúde pública em padrões dignos, inclusive com incapacidade estatal de fornecer certos remédios sem ônus financeiro, deficiente na educação pública fundamental e de nível médio, como como nos investimentos para saneamento básico, moradia popular e na área de segurança, sempre com a alegação de ausência de disponibilidade financeira. Todavia é um estado que prioriza seus escassos recursos para pagar indenizações dissociadas do quadro sócio-econômico do povo brasileiro".

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Muito além da CPMF

As desonerações de impostos realizadas pelo governo nos últimos quatro anos não foram suficientes para compensar o aumento da arrecadação federal, o que evidencia que a carga tributária no país continua crescendo, e o volume de tributos pagos pela sociedade não cai. Desde 2003, o governo federal deixou de cobrar R$ 29,2 bilhões com renúncia fiscal. O aumento da arrecadação, porém, cresceu muito mais. Segundo uma nota técnica da consultoria de orçamento da Câmara dos Deputados, as receitas do governo aumentaram em R$ 95,8 bilhões neste período, o equivalente a 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país).

Em 2003, os brasileiros pagavam de impostos para o governo federal o equivalente a 21,07% do PIB; e pagarão, em 2008, 24,87% do PIB, sem contar o que é cobrado por estados e municípios. Em sua defesa, o governo afirma que, desde 2004, nenhuma nova alíquota foi aprovada. Naquele ano, a transformação da Cofins em tributo não cumulativo e a instituição da cobrança de PIS e Cofins sobre importações renderam aumento de arrecadação de cerca de R$ 8 bilhões, e mais R$ 4,2 bilhões em 2005.

O estudo do grupo técnico da Comissão de Orçamento avalia que, se comprovada as previsões de receitas do governo para 2008 — superiores a deste ano — o resultado será a contínua elevação da carga tributária no país. “Para 2008, prevê-se uma arrecadação crescente em relação ao PIB, volumes substanciais de receitas atípicas e maior carga tributária”, informa o estudo.

A arrecadação de impostos em 2008 somará R$ 448,6 bilhões (16,35% do PIB), contra R$ 405 bilhões este ano (16,07% do PIB). “Trata-se de previsões alentadas, na ausência de medidas para elevar os impostos, e nenhum salto abrupto na taxa de crescimento econômico”, avaliam os técnicos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O brigadeiro José Carlos Pereira, que será exonerado hoje da presidência da Infraero, deixa o cargo atacando o governo.

Em entrevista ao GLOBO, ele acusou Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de fazer lobby para beneficiar amigos num negócio milionário. Segundo ele, Denise tenta fazer com que a Anac patrocine a transferência do setor de cargas dos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Viracopos, em Campinas (SP), para o aeroporto de Ribeirão Preto (SP), privatizado e administrado por Carlos Ernesto Camargo, dono da Tead (Terminais Aduaneiros do Brasil). O brigadeiro afirma que Camargo e Denise são amigos, o que é confirmado por fontes do setor. A operação, se concretizada, envolverá cerca de R$ 400 milhões por ano. “A Denise é terrível! Se eu não estivesse saindo, ia comprar uma grande briga com ela”, disse Pereira. Procurada, Denise não retornou as ligações. Sentindo-se um bode expiatório, Pereira, que será substituído pelo presidente da Agência Espacial Brasileira, Sérgio Gaudenzi, diz temer que a crise não termine bem, pois a diretoria da Anac foi formada por indicação política e não tem conhecimento do setor.

ENTREVISTA

O GLOBO: Como foi a conversa em que o ministro Nelson Jobim comunicou que o senhor teria de sair?
JOSÉ CARLOS PEREIRA: No final da reunião com o comandante Juniti Saito, sexta-feira, quando eu entreguei ao ministro Jobim os estudos para desafogar Congonhas, e para obras de Guarulhos e Viracopos, ele me disse que precisava falar a sós comigo. Começou dizendo que segunda-feira reuniria o Conselho para examinar minha carta de demissão. Eu lhe disse que não teria carta de demissão, que ele me demitisse. Ele perguntou se não ficaria ruim para mim e eu respondi que de jeito nenhum. Não posso fazer isso de jeito nenhum. Estou com a consciência tranqüila de que fiz o possível e ser demitido do serviço público não é nenhuma desgraceira.
Não pedi para entrar na presidência da Infraero e não iria pedir para sair. O governo, para sair dessa crise toda, tinha que apontar um culpado. Minha contribuição foi me oferecer para ser demitido.Mas ele que me demitisse.

GLOBO:O senhor foi exonerado porque o presidente Lula e Jobim não mostraram disposição de mexer na Anac, devido à pressão das companhias aéreas?
PEREIRA:Entendo que foi isso, sim, mas aceito com toda a tranqüilidade do mundo. Sou milico e sei que, no sistema militar, quando se entra numa guerra, ataca-se pelo lado mais fraco. Ninguém é louco de partir para o lado mais forte. A Anac é hoje intocável. Tem um envolvimento político enorme lá no Palácio, com a ministra Dilma (Rousseff) e outros. Além do presidente Milton Zuanazzi, todos foram parar lá por indicação política.

GLOBO:O senhor acha que há desconfiança da sociedade com Zuanazzi?
PEREIRA: Mas ele tem um ponto muito forte lá no Planalto. Eu não tenho proteção política nenhuma.

GLOBO: Mas não é um risco ele continuar gerenciando a crise?
PEREIRA: Eu não vejo isso com bons olhos, e temo que não acabe bem. É como medicina. Imagina se numa operação neurológica de alto risco, em vez de um cirurgião neurológico altamente especializado, aparece lá para abrir a cabeça do cidadão um dermatologista? Mas ele foi indicado pelo Planalto...
O problema é que nesse caso não se trata de uma cirurgia. Milhares de pessoas estão voando todos os dias, a mercê desse dermatologista.

GLOBO:O senhor acha que tem faltado pulso ao presidente Lula para resolver essa crise aérea?
PEREIRA
: Eu tenho impressão que, agora, ele está fazendo isso. Pode ser só impressão, mas pelo menos ele criou coragem de trocar o ministro.


GLOBO:A revista “Veja” afirma que Denise Abreu, diretora da Anac, tentou jogar na Infraero a culpa pela não-interdição de Congonhas, no dia do acidente. O senhor respondeu que se ela continuasse acusando a Infraero ia abrir a “caixapreta” dela...
PEREIRA: A Denise é terrível! Se eu não estivesse saindo da Infraero, eu ia comprar uma grande briga com ela. Ela quer tirar da Infraero o controle do setor de cargas de Congonhas e Viracopos, para levar para o aeroporto de Ribeirão Preto, que pertence ao governo de São Paulo. O terminal de cargas nesse aeroporto já é dominado pelos amigos dela, pelo empresário Carlos Ernesto Campos. Toda reunião do conselho da Anac ela fala disso, com o argumento de que é para desafogar Congonhas e Viracopos. Isso é um negócio que movimenta R$ 400 milhões por ano. Ainda bem que estou indo embora. Isso vai estourar qualquer hora dessas.

GLOBO: Como está vendo a tese de erro dos pilotos no acidente da TAM?
PEREIRA: Uma grande maldade e má-fé. A quem interessa culpar os pilotos? Como alguém ou uma empresa se livra de uma acusação de culpa? Empurrando a culpa para cima de outro. Estou vendo tudo isso com muita tristeza, mas chorar não adianta nada. Tem que esperar a conclusão das investigações. Sem uma interpretação pericial de todos os dados das caixas-pretas, a Airbus já emitiu um comunicado dizendo que a aeronave estava em perfeitas condições, mas, na minha concepção, há falhas e erros de projeto, que devem ser corrigidos rapidamente. Não digo que hoje estou com medo de voar em Airbus, mas tenho mais confiança nos aviões da Boeing.

GLOBO: O senhor passou um ano e quatro meses à frente da Infraero. O que foi mais difícil nessa crise toda?
PEREIRA: Vivi momentos terríveis nos dois acidentes. Também vi com horror a Infraero envolvida em centenas de processos no Tribunal de Contas da União. No ano passado, criamos uma empresa tão bonitinha, tão limpinha para cuidar do setor aéreo, e ela acabou ferida justamente na parte ética. Fico muito triste, mas também não adianta ficar triste por isso. Mesmo porque não foi só tristeza. O sucesso do Pan foi uma grande alegria. E agora o Parapan, embarcamos e desembarcamos sem problemas 300 atletas em cadeiras de rodas. Isso foi maravilhoso e reconfortante.

GLOBO: O senhor já está na reserva da Aeronáutica.O que vai fazer a partir desta segunda-feira?
PEREIRA:
Ir para uma praia deserta é uma ótima idéia. Vou passar duas semanas pescando de jangada no Ceará. Não quero nem ver avião passando no céu.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Plebe ignara

Merval Pereira

Os pescadores entraram como Pilatos no credo na sessão de ontem do Senado, e o problema do financiamento da pesca no Nordeste serviu de pretexto para que o senador Agripino Maia, líder do DEM, colocasse o partido em obstrução para não deixar que a sessão presidida pelo senador sob investigação Renan Calheiros tivesse resultados práticos na aprovação da ordem do dia. A áspera discussão que Renan tivera momentos antes com o líder do PSDB, Arthur Virgílio, mostra bem o grau de destempero com que o presidente sob suspeita pretende enfrentar seus críticos.

O líder do PSDB havia reclamado do fato de o presidente do Senado ter encaminhado ao Conselho de Ética uma série de contestações aos procedimentos adotados pelo novo presidente, senador Leomar Quintanilha, teoricamente um seu aliado. Virgílio, com razão, estranhou que Renan tenha se utilizado mais uma vez do cargo para contestar o Conselho, num procedimento claramente indevido. E insistiu para que se licenciasse do cargo para se defender, sem misturar a instituição com seus problemas pessoais.

O presidente do Senado, mesmo estando sob investigação, não se faz de rogado e atua em todas as instâncias, alegando que está se defendendo.
Ontem, ele disse que somente sairia da presidência com a votação do plenário e, num claro desafio, disse que os que quiserem tirá-lo “terão que sujar as mãos”. Renan Calheiros conta que muitos senadores não se postarão como Poncio Pilatos, que lavou as mãos e não interferiu na condenação de Cristo, mas a cada dia ele conta com menos apoio no Congresso.

Seus defensores são tão inexpressivos que ontem ele mesmo não teve paciência para ouvir o discurso do senador Almeida Lima, um dos relatores do novo processo.

Na tentativa de defender Renan, e de justificar sua parcialidade, Almeida Lima pôsse a criticar “a grande mídia” que, segundo ele, está alimentando a sede de vingança “da massa ignara”, incapaz de, como ele, ter um comportamento altivo e de juiz, diante das acusações a Renan Calheiros.
Longe três anos e meio das eleições, Almeida Lima acha que pode desdenhar da “opinião pública” sem sofrer conseqüências.

Tão coerente quanto sua história política — já foi do PSDB, do PDT e hoje está no PMDB governista —, Almeida Lima é o mesmo que anunciou, em plena crise do mensalão, que faria uma denúncia “bombástica” contra o então ministro José Dirceu, e acabou lendo da tribuna notícias requentadas e desimportantes.

Quem definiu bem a situação, na ocasião, foi o senador Antonio Carlos Magalhães quando disse, na tribuna do Senado, que o PT deveria erguer uma estátua para o senador Almeida Lima, que acabara de fazer um papel ridículo na mesma tribuna.

Anunciando, com estardalhaço e antecedência, uma bomba acusatória contra o ministro José Dirceu, o senador sergipano mexeu com os nervos do mercado financeiro e foi o assunto entre políticos e empresários de todo o país naquele dia. Depois, fez jus ao apelido de Rolando Lero, que ganhou pela semelhança de seu linguajar enrolador com o do personagem de Rogério Cardoso na “Escolinha do Professor Raimundo”, de Chico Anysio, e teve afinal mais do que os 15 minutos de fama.

A situação de Renan Calheiros é tão difícil que é esse seu principal defensor no Senado.

E ele, disposto a montar uma farsa para aparentar que sua presidência não corre o risco de ser esvaziada pela crise, já anunciou que presidirá a sessão do Congresso que tem que analisar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sem cuja aprovação os parlamentares não terão recesso oficial. Os deputados da oposição prometem obstruir a sessão, da mesma forma que estão agindo no Senado, por não reconhecerem mais em Renan a capacidade de representá-los.

Caminha assim o Congresso para uma crise de governabilidade que pode ter conseqüências desastrosas para a já combalida credibilidade da classe política. Ao contrário do que imagina Renan, sua truculência no comando dos trabalhos, na tentativa de impor sua presença a seus pares, vai reduzindo cada vez mais suas chances de manter o mandato.

Os sinais de incômodo são visíveis, e mesmo os que não se dispõem a enfrentá-lo frente a frente, já parecem prontos a cassá-lo em uma votação secreta, que a cada dia que passa torna-se uma armadilha para Renan, em vez de ser uma possibilidade de absolvição.

A decisão do novo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha, de anular o relatório anterior do senador Epitácio Cafeteira, que era favorável a Renan Calheiros, era a única possível, pois o trio de novos relatores precisa começar mesmo da estaca zero, para que as investigações sejam feitas de maneira mais aprofundada e de acordo com trâmites burocráticos que podem ter sido atropelados no auge da crise.

Não era possível, como queria Renan, que o relatório Cafeteira ainda prevalecesse, mesmo porque ele não tinha levado em conta todos os fatos novos que surgiram. Nada indica que Renan terá uma trégua nesse processo, pois as novas acusações da revista “Veja”, sobre uma possível venda superfaturada de uma fábrica de bebidas da família Calheiros para a Schincariol, deverão ser objeto de uma nova representação do PSOL.

O senador sob investigação Renan Calheiros parece querer constranger seus pares e ganhar a absolvição no grito.

Cada vez mais se transforma no exemplo do que o Senado não pode aceitar, se quiser manter um mínimo de credibilidade diante da opinião pública, que o senador Almeida Lima chama de “plebe ignara”.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Advogado do diabo

O presimente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entrar na briga do Senado para defender a manutenção de Renan Calheiros no cargo. Ontem cedo, Lula chamou Renan ao Palácio do Planalto. Conversaram durante 40 minutos sobre o rumo que tomou o processo de investigação do presidente do Senado por quebra de decoro parlamentar, especialmente depois que o DEM defendeu formalmente seu afastamento. Na conversa, Renan reclamou da falta de firmeza dos senadores do PT e da base aliada. Em seguida, Lula recebeu a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), e o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), para pedir que a bancada petista dê sustentação ao aliado.

Nas conversas ocorridas no Planalto, foi feita uma avaliação de que o DEM decidiu trabalhar para tirar Renan Calheiros da presidência, tentar fazer seu sucessor e pôr em risco a governabilidade.

— O que está em jogo para a oposição não é a questão ética, mas a governabilidade e a disputa política — disse Ideli, após o encontro.

Desde o início da semana, Lula está intervindo junto aos senadores petistas, pedindo que dêem apoio ao presidente do Senado. Entre os governadores que também receberam esse apelo do presidente estão o tucano Cássio Cunha Lima (PB) e os petistas Marcelo Déda (SE) e Jaques Wagner (BA).
Nessas conversas, foi traçado um paralelo com o que ocorreu na Câmara, em 2005, quando, após a renúncia de Severino Cavalcanti, a oposição lançou a candidatura do então deputado José Thomaz Nonô (AL) para a presidência.
Em determinado momento, Nonô ameaçou concretamente o comando governista.

“Afinal, quem pôs Suplicy no Conselho?”, diz Lula

Lula, citando a crise do mensalão, cobrou de Ideli Salvatti e Tião Viana mais determinação dos senadores do PT na defesa de Renan e criticou a atuação de petistas e aliados no Conselho.
— Afinal, quem foi que pôs o Suplicy no Conselho? — perguntou Lula, acrescentando: — Vamos nos esconder como na crise de 2005? Renan explicou ao presidente por que o PMDB não queria mais a presença do senador Sibá Machado (PT-AC) na presidência do Conselho de Ética. O peemedebista relatou que foi feita uma proposta que poria fim à crise, mas que Sibá não tinha aceitado levá-la adiante, pressionado pela oposição. Renan argumentou que, ao ceder à oposição, Sibá tinha perdido a isenção para presidir o julgamento.
Antes do encontro com Lula — que, segundo a assessoria do Planalto, foi pedido pelo senador —, Renan já havia mandado recados.

Numa conversa com Ideli, deixou claro que o PMDB sempre foi fiel ao governo e que não aceitaria ser abandonado. Para aliados de Lula, os recados de Renan soaram como ameaças. Diante do presidente, Renan foi mais sutil. Mas fez questão de registrar a mesma mensagem.

Mesmo evitando defender publicamente o presidente do Senado, Lula está cobrando solidariedade de políticos. Com pelo menos três interlocutores, inclusive governadores, pediu um gesto em favor de Renan.

— Vocês já foram falar com o Renan? Já ligaram para ele? — perguntou Lula em conversa com um grupo de aliados, no início desta semana.
Na mesma conversa, Lula fez um desabafo sobre a situação de Renan: — Já estou vacinado contra essas coisas que agora estão fazendo com Renan. Conheço bem o que é isso! Já passei por esse tipo de sofrimento.

O presidente também externou sua preocupação com a situação do Senado. Ele admite que Renan tem um papel importante na aliança política e no comando do PMDB na Casa.
Lula considera que um eventual afastamento de Renan da presidência poderia provocar problemas de governabilidade no Senado e dificuldades para aprovação de matérias de interesse do Executivo. Para o presidente, o governo encontrara um equilíbrio político no Senado nesta legislatura, depois das dificuldades do primeiro mandato.

Assessores do Planalto reforçam que um eventual afastamento de Renan Calheiros é preocupante para o governo. Mas articuladores reconhecem que o enfraquecimento político do presidente do Senado pode ajudar a equilibrar o poder na base aliada. De acordo com esses relatos, Renan sempre cobrou uma contrapartida muito elevada do Planalto, com nomeação de cargos e liberação de emendas, em troca de seu apoio. Mesmo assim, é consenso no núcleo do Planalto que o afastamento de Renan poderia paralisar o Senado, com conseqüências para o governo.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Renan,como réu,explicará o inexplicável

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desde ontem responde como réu, no cargo, a um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Instalado na semana passada, o Conselho estréia investigando justamente o presidente do Legislativo, suspeito de pagar despesas pessoais com recursos da empreiteira Mendes Júnior. Diante da ameaça do PSOL de recorrer à Justiça, caso a representação contra Renan fosse arquivada sumariamente, governo e oposição chegaram a um entendimento ontem, minutos antes do início da reunião do Conselho, e constataram que a melhor alternativa para preservar a imagem da Casa seria garantir a abertura do processo por quebra de decoro.

Acordo põe aliado de Sarney como relator  A escolha do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) — eleito com o apoio da família Sarney — para ser o relator do processo contra Renan, também acertada previamente, deverá assegurar que a investigação seja rápida e não fuja do controle do governo, sem que o PMDB ou o PT tenham de se expor diretamente.

Renan teria resistido à idéia de abertura do processo, mas foi convencido diante das ponderações de aliados de que o caso poderia se arrastar por mais tempo se fosse parar na Justiça.

A hipótese de indicação de um representante do PMDB ou do PT para relatar o processo foi logo descartada.

Isso despertaria suspeitas ainda maiores de uma manobra para inocentar Renan. A oposição, mesmo disposta a ajudar o presidente do Senado, vetou a idéia inicial do presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-SP), de indicar o corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP). Ainda mais depois que ele declarou, publicamente, que gostaria de absolver Renan.

A tarefa ficou com Cafeteira, hoje um homem da inteira confiança de Sarney, que tem feito dobradinha com Renan desde o início do governo Lula.

Alguns colegas já ouviram Cafeteira declarar que deve sua vida a Sarney. O ex-presidente o teria socorrido no início do ano, depois de um infarto. Com 83 anos e a saúde debilitada, Cafeteira sequer estava presente à reunião de ontem, quando seu nome foi indicado.

No interior do Maranhão, segundo sua assessoria, foi consultado pelo telefone por Sibá e aceitou a missão.

— Consultei vários senadores, mas o Cafeteira aceitou de pronto. É uma pessoa de perfil adequado. Vai estudar o processo e nos apresentar seu relatório sem delongas — disse Sibá.

O senador Jefferson Péres (PDTAM) lamentou que Sibá não tenha optado por nomear uma comissão com representantes de três partidos para conduzir a investigação. Isso, na sua opinião, garantiria maior isenção.

— Não tenho dúvidas de que o Cafeteira deverá livrar Renan pedindo sua absolvição — previu Peres.

Nada temo, diz Renan sobre ação  Segundo a assessoria de Cafeteira, ele está incomunicável no interior e só voltará a Brasília na segunda-feira, quando deverá solicitar a notificação de Renan para que este apresente sua defesa. O presidente do Senado terá o prazo de cinco sessões para isso. Os advogados deverão consolidar a versão e os documentos já encaminhados por Renan à Corregedoria.

Renan tentou mostrar tranquilidade, mas não disfarçou seu desapontamento com o fato de ter virado réu.

— Não tenho qualquer preocupação com o processo. É o caminho para que possamos demonstrar com todas as letras de que lado está a verdade.

O que o país quer saber é isso mesmo. Quero que tudo se esclareça e estou absolutamente tranqüilo. As coisas nem sempre acontecem como a gente espera. Mas estou do lado da verdade, por isso nada temo.

terça-feira, 5 de junho de 2007

DEM e PSDB querem boicotar CHAVES no Mercosul

Os ataques do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro, que protestou contra o fechamento da RCTV, levaram os líderes do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e do DEM, senador Agripino Maia (RN), a anunciar que as cúpulas de seus partidos estão determinando a obstrução da votação do protocolo de adesão do país latino-americano ao Mercosul, que tramita atualmente na Comissão do Mercosul da Câmara.

Caso Chávez não se retrate, tucanos e democratas ameaçam impedir a votação do protocolo, que terá de passar pela apreciação não só da comissão da Câmara, mas também das comissões de Relações Exteriores e do plenário das duas Casas.

— Ele (Chávez) segue o ritual clássico de um ditador, é um perigo ambulante, e emite sinais de que é possível restabelecer uma ditadura na América Latina.

Não é à toa que ele está promovendo uma corrida armamentista no continente — disse o senador Arthur Virgílio.

Para Agripino, é preciso questionar neste momento a democracia venezuelana. Ele confirmou a disposição do DEM de impedir a aprovação do protocolo, pelo menos até que todas as dúvidas do Congresso brasileiro sejam esclarecidas. Por enquanto, o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul só foi aprovado pela Argentina e pelo Paraguai — faltam ainda o aval do Brasil e o do Uruguai.

Amorim fala em “nuvens passageiras” O mal-estar provocado pelos ataques de Chávez ao Congresso continua também no governo.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes de sua comitiva à viagem à Índia disseram ontem que explicações mais claras são esperadas.

Lula disse que, quando voltar ao Brasil, no fim de semana, resolverá o assunto. Embora a diplomacia brasileira torça para um desfecho rápido, sem maiores conseqüências bilaterais, o chanceler Celso Amorim também sinalizou que aguarda fatos novos para dissipar o que chamou de “nuvem passageira” nas relações entre os dois países.

Depois de discordar, na noite de domingo, da avaliação do venezuelano de que o Senado teria sido grosseiro, Lula sugeriu na manhã de ontem (oito horas e meia à frente do horário brasileiro), em Nova Délhi, que o caso ainda não está resolvido. Perguntado se esperava ouvir de Chávez uma explicação, disse: — Deixa eu voltar para o Brasil que vou resolver isso.

Mais tarde, foi divulgada a entrevista de Lula ao programa Hard Talk, da BBC de Londres, gravado sexta-feira, e na qual diz que Chávez é um parceiro e não um perigo para o Brasil.

— Chávez tem sido um parceiro do Brasil, nós temos grandes negócios na Venezuela, estamos fazendo refinarias conjuntas (...) Eu não acredito que represente um perigo para a América Latina — afirmou Lula, ao repórter Stephen Sakur.

Na entrevista transmitida ontem pelo canal internacional BBC World, Lula disse ainda que o Brasil não entrará nas disputas entre Venezuela e EUA.

— Chávez tem suas razões para brigar com os Estados Unidos.

E os Estados Unidos têm suas razões para brigar com a Venezuela. O Brasil não tem nenhuma razão para brigar com os Estados Unidos ou a Venezuela.

Lula se esquivou de comentários sobre a crise provocada pelo fechamento da RCTV: — Nós temos que aprender a respeitar a lógica legal de cada país. Eu não dou palpite nas políticas internas de nenhum país (...) No Brasil, fazemos um esforço incomensurável para que a liberdade de imprensa seja exercida em sua plenitude.

Na comitiva que acompanha Lula, principalmente entre os diplomatas, a avaliação é que Chávez foi longe demais.

— Espero que seja uma nuvem passageira, não precisamos buscar mais qualitativos (para classificar o episódio). Hoje é segundafeira, vamos ver se hoje ou amanhã haverá algo mais claro, mas sem excesso de dramaticidade — disse Amorim

segunda-feira, 4 de junho de 2007

O Crime Perfeito de Renan

Que ironia! Para preservar seu casamento, Renan Calheiros escondeu provas de que se relacionara com a jornalista Mônica Veloso, mãe de uma filha recente dele. Para preservar o mandato de senador, ele agora está sendo obrigado a desencavar provas de que pagou despesas de Mônica e da filha, dispensando o dinheiro de um lobista de construtora.

Renan salvou o casamento e está muito perto de salvar o mandato. Na avaliação dos que o cercam, ele venceu de goleada no fim da semana a crucial batalha das revistas semanais. Quanto aos jornais, até aqui foram incapazes de levantar fatos que possam pôr em risco o mandato dele e o exercício pelos próximos dois anos da presidência do Senado.

Com a exibição de documentos, “Veja” reforçou a suspeita de que despesas particulares de Renan foram pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior.

Avalista de aluguéis de imóveis onde Mônica morou de 2004 ao final de 2005, Gontijo pagou a uma empresa de segurança para protegê-la.
Em abril último, comprou um flat que foi de Renan.

“Época” deteve-se na análise de documentos compilados por advogados de defesa de Renan. Embora tenha concluído ser impossível garantir que Renan pagou despesas de Mônica com recursos próprios, a reportagem da revista foi comemorada pelo senador como tendo sido amplamente favorável a ele.

Sob o título “A história de uma chantagem”, “IstoÉ” preferiu explorar gravações de telefonemas íntimos trocados por Mônica e Renan. Entrevistou Verônica, mulher de Renan, que defendeu o marido. Restou a imagem do homem que pecou, mas que depois foi vítima da cobiça insaciável por grana de uma ex-namoradinha.

Renan espera que o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), fiscal do comportamento dos seus pares, cumpra logo com o seu dever: assine um relatório que o absolva da suspeita de ter usado dinheiro de Gontijo para pagar algumas de suas despesas. E assim deverá ser. Tuma antecipou na semana passada sua intenção de absolver Renan.

O relatório de Tuma será encaminhado ainda esta semana ao Conselho de Ética do Senado, onde o governo dispõe de larga maioria de votos para aprová-lo. Em seguida, o Conselho arquivará o pedido do PSOL para que Renan responda a processo por quebra de decoro — e não se falará mais disso.

Se quisesse, o Conselho poderia fazer uma análise minuciosa da contabilidade de Renan. O que ele declarou de “ganhos agropecuários” daria de sobra para sustentar Mônica e a filha. O problema é que as datas de saques de dinheiro em banco não coincidem com as datas em que Gontijo entregou a Mônica dinheiro em espécie.

Talvez fosse o caso de o Conselho esmiuçar os tais “ganhos agropecuários”. Muita gente se vale deles para justificar despesas ou a ampliação do patrimônio. Talvez fosse o caso, ainda, de ouvir Gontijo, Mônica e o próprio Renan Calheiros. Ou de acionar a Receita Federal para passar a limpo os rendimentos da trinca.

Não deveria restar a menor sombra de suspeita sobre a conduta de quem preside o Senado e o Congresso — mas o Conselho tem pressa de salvar Renan. Pouco se lhe dá que a reabilitação de Renan se faça às custas de mais um naco de prestígio do Senado.

E que doravante Renan corra o risco de virar um dócil refém dos interesses do governo.

O Senado é melhor do que o céu, conferiu o ex-senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ). Funciona como um elegante e luxuoso clube exclusivo para 81 sócios. Ali, quando qualquer um deles se sente ameaçado, os outros costumam socorrê-lo. O instinto de sobrevivência do grupo manda todos os escrúpulos às favas.

De resto, Renan é um homem cordato, humilde, conciliador, paciente, que sabe fazer amigos e influenciar pessoas.

A literatura policial vende a ficção de que não existe crime perfeito. Existe, sim. E se por acaso Renan cometeu um, o dele está destinado a se tornar perfeito por decisão dos que deveriam investigá-lo — e que não o farão.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Governo quer fazer valer o peso do Brasil nas relações com os vizinhos

Em menos de uma semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom não apenas com o boliviano Evo Morales, mas também com o venezuelano Hugo Chávez, durante a cúpula energética da América do Sul, realizada em Isla Magarita, na Venezuela.

As razões são diferentes, mas contribuíram para que a diplomacia brasileira mudasse de atitude e orientasse Lula a fazer valer o papel do Brasil. Não apenas o de grande comprador de gás natural da Bolívia, mas de líder regional, para evitar que Chávez abortasse a idéia do etanol, defendida, em todo o mundo, pelo governo brasileiro.

— Chegou a hora da verdade — disse o embaixador José Botafogo Gonçalves, presidente do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, para quem Lula havia sido muito tolerante até agora com os dois vizinhos.

— Já sabíamos que as relações com a Bolívia seriam marcadas por sobressaltos. Quanto à Venezuela, está mais do que evidente que as pretensões políticas de Chávez nada têm a ver com os projetos brasileiros — afirmou Botafogo.

Banco do Sul, etanol e gás foram temas de divergência De fato, as investidas de Chávez na disputa pela liderança na região acabaram irritando Lula. Fontes da área diplomática explicaram que, se o presidente brasileiro não tivesse marcado posição quanto ao etanol, investidores internacionais acabariam olhando com certa desconfiança um projeto sem o aval de parte dos vizinhos sul-americanos.

Lula também tomou posição quanto à criação do Banco do Sul, que tem sido propagado como uma das principais bandeiras de Chávez e que já conta com total adesão do presidente da Argentina, Néstor Kirchner.

A orientação era deixar claro que o Brasil não se diz contra a idéia, mas precisa de mais tempo para avaliar a viabilidade da instituição que, a princípio, terá seu orçamento formado pelas reservas internacionais dos países acionistas.

— O presidente Lula sempre será a favor da integração da América do Sul e não abre mão disso. Mas, em algumas ocasiões, precisa agir com firmeza — disse um diplomata brasileiro de alta graduação.

Ele acrescentou que, para Lula, as últimas declarações de Morales chegaram ao limite. Embora o presidente boliviano venha sendo movido por fatores políticos, devido à dificuldade em concluir a nacionalização das reservas de gás e petróleo no país, Lula estaria decepcionado com a ingratidão de Morales frente aos esforços do Brasil de promover programas de cooperação, para ajudar o país vizinho a se desenvolver.

Para o historiador e professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília José Flávio Sombra Saraiva, a atitude de discrição da diplomacia brasileira, verificada nos últimos anos, precisou ser estrategicamente interrompida.

— O grau de lealdade com que o Brasil tem tratado a Venezuela em momentos difíceis não estava sendo retribuído.

O mesmo se pode dizer de Morales — disse Saraiva.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Lula versus FHC-Mais ações contra Lula

Notícia do Globo de hoje:
Nos quatro anos do primeiro governo Lula, o Ministério Público Federal moveu, em Brasília, proporcionalmente três vezes mais ações de combate à corrupção contra órgãos federais do que no período em que o país foi administrado pelo antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Procuradoria da República do Distrito Federal das ações civis públicas e de improbidade administrativa propostas pelo MP e acolhidas pela Justiça.

Durante o governo FH, de 1995 a 2002, os procuradores moveram 136 ações por supostas irregularidades em órgãos federais — média de 1,4 por mês.De 2003 a fevereiro deste ano, foram abertos 205 processos, e a média subiu para 4,1. Desconsiderando a diferença entre o período em que cada um esteve no poder, houve crescimento de 50,6% no número de ações.

Os números abriram um novo embate entre o PT e o PSDB.

Vamos aguardar Lula se manifestar sobre a notícia,já que,como estamos carecas de saber,Lula queria ser FHC e já se acha superior,mas só é superior na canalhice...

sábado, 3 de março de 2007

MP pede bloqueio de bens do PT e de Carvalho

Procuradores que investigam morte de Celso Daniel pedem ressarcimento de R$ 5,3 milhões

Os promotores que investigam o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (do PT, morto em janeiro de 2002) pediram ontem o bloqueio dos bens do atual chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, do diretório nacional do PT e de outros seis ex-funcionários da prefeitura do município acusados de integrarem uma quadrilha que cobrava propinas de empresários de ônibus para custear campanhas eleitorais do PT.

Dinheiro seria de esquema de propinas de Santo André Gilberto Carvalho e os seis acusados foram denunciados por improbidade administrativa.

O bloqueio dos bens foi pedido por meio de liminar. O objetivo é ressarcir R$ 5,3 milhões aos empresários, valor do suposto prejuízo provocado pelo esquema de cobrança de propinas em Santo André.

— O que existe é a solidariedade de todos os envolvidos.

Apuramos que parte do dinheiro favorecia o partido e, portanto, não é justo que só os integrantes da quadrilha sejam condenados a ressarcir — disse o promotor Roberto Wider.

Segundo depoimentos de empresários e do médico João Francisco Daniel, irmão do prefeito assassinado, o dinheiro era levado por Gilberto Carvalho para a direção nacional do PT. O presidente do partido, na época, era o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

— Não incluímos o José Dirceu na ação porque avaliamos que ele agiu como presidente do partido e não em função de interesses pessoais — afirmou Wider.

Por meio de sua assessoria, Gilberto Carvalho respondeu que não tomou conhecimento da ação, e que só se manifestará após saber do que se trata. O chefe de gabinete da Presidência reiterou que já negou todas as acusações e que tem a consciência tranqüila. A direção do PT foi procurada, mas não respondeu até as 20h.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Petrobras faz, sem licitação, convênio de R$ 228 milhões

Beneficiadas doaram R$ 16,7 milhões na eleição, sendo R$ 6,4 milhões a PT e PCdoB
 Sem licitação, a Petrobras fechou este ano um convênio inédito, no valor de R$ 228,7 milhões, com a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) para a formação de 70 mil profissionais. A entidade reúne algumas das principais empreiteiras do país, e pelo menos 13 dessas empresas associadas doaram R$ 16,7 milhões a candidatos e partidos. Do total, R$ 6,4 milhões foram para os caixas do PT e do PCdoB. A UTC Engenharia, empresa na qual trabalha o presidente da entidade, Ricardo Ribeiro Pessoa, distribuiu na eleição R$ 1,5 milhão, sendo R$ 1,3 milhão só para petistas. Líderes no Congresso querem incluir nas investigações da CPI das ONGs, a ser aberta no Senado, os dados revelados ontem pelo GLOBO mostrando que a Petrobras liberou verbas para entidades ligadas ao PT.

domingo, 19 de novembro de 2006

Petrobrás e o PT :Uma união indecente e criminosa .

Um duto da Petrobras ao PT
Estatal irrigou com verbas ONGs ligadas a petistas e a movimentos que apoiaram reeleição de Lula

A título de apoio a projetos sociais, a Petrobras injetou recursos, de agosto do ano passado a outubro deste ano, período eleitoral, em organizações nãogovernamentais (ONGs) que apoiaram a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e são ligadas ao PT ou a movimentos sociais aliados do petista, como o MST.

Levantamento feito pelo GLOBO, com base em dados do site da estatal, mostra que pelo menos R$ 31 milhões do dinheiro destinado pela Petrobras ao setor no período foram parar em contas dessas entidades. Na lista, há casos em que os dirigentes das ONGs disputaram a eleição pelo PT e outros em que a entidade mobilizou sua estrutura no apoio eleitoral a Lula.

A pesquisa analisou um universo de 735 contratos e convênios, no valor total de R$ 263 milhões (todos com dispensa de licitação), do qual foi selecionada uma amostra. De acordo com o site da estatal, os projetos favoreceram sem-teto, catadores de papel, sem-terra, movimentos de minorias, crianças carentes, obras de asfaltamento, coleta de lixo, shows populares — a maioria deles em ano eleitoral — e até leilões de cabras e ovelhas.

A Petrobras também desembolsou dinheiro para patrocinar eventos da CUT, da UNE e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), entidades que manifestaram apoio a Lula na campanha eleitoral.

Concentração em SE, terra de Dutra
 Há uma concentração de convênios em Sergipe, estado do petista José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras e candidato derrotado do PT ao Senado este ano. No mesmo estado, entre outros contratos, a estatal repassou verbas para uma ONG presidida pela mulher do petista Marcelo Déda, eleito governador em outubro.

Dirigentes de algumas das entidades favorecidas por dinheiro da Petrobras, além de terem pedido abertamente voto para Lula na campanha que o reelegeu, defendem teses como ocupação de prédios e invasão de propriedades no campo. A empresa alega, porém, que os projetos passaram por um processo criterioso de seleção, são fiscalizados regularmente e respondem às expectativas. A lista de ações sociais também inclui ONGs que não têm vínculo com o PT, algumas com larga tradição no setor.

Mas o partido de Lula aparece, em muitos casos, na outra ponta da política social da empresa. A relação mostra que o PT é o partido com mais municípios na lista de 210 prefeituras e governos estaduais que receberam repasses do Fundo de Infância e Adolescência da empresa.

O partido de Lula aparece com 49 prefeituras (23% do total).

Há outras 46 controladas por políticos de partidos que integram a base do governo no Congresso.

Dos dez maiores contratos, a maioria firmada em dezembro do ano passado e com vigência ao longo do ano eleitoral, seis foram assinados com prefeituras petistas e com o governo do Piauí, controlado pelo PT. Outros prefeitos, como o peemedebista Washington Reis (Duque de Caxias) e o pedetista João Henrique (Salvador), também fizeram campanha para Lula. O maior repasse, de R$ 2 milhões, beneficiou Magé, na Baixada Fluminense. Durante a campanha, a prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) foi investigada por uso da máquina (postos de saúde) pelo Ministério Público.

Este ano, a Petrobras continuou favorecendo prefeituras petistas.
Doou R$ 463 mil para a recuperação de estradas em Maragogipe (Bahia) e R$ 600 mil para um projeto de coleta seletiva de lixo em Mesquita, na Baixada Fluminense.

O exame dos convênios com ONGs mostra o mais forte elo entre o programa social da Petrobras e o PT. Em Minas Gerais, por exemplo, a Associação de Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável recebeu R$ 1,5 milhão este ano. Seu presidente, Luiz Henrique da Silva, é filiado ao PT deste 1981. Em solenidade de lançamento de linhas de crédito para catadores de papéis, no dia 25 de outubro em Brasília, Luiz Henrique chamou Lula de “companheiro”.

E repetiu várias vezes uma frase usada na campanha — “Agora, vou deixar o homem trabalhar”.

Apesar de a associação ter sido fundada em 1990, só se consolidou três anos depois, na gestão petista do prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias (1993-97), que firmou convênio com a entidade. Desde então, Luiz Henrique se tornou cabo eleitoral do hoje ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Patrus compareceu às três últimas edições do festival de Lixo e Cidadania, evento da entidade.

Silva negou envolvimento com política e afirmou que a entidade é apartidária. Ele disse que os convênios firmados com a Petrobras e outras empresas públicas não têm qualquer conotação política.

A ligação com o PT se repete em pelo menos outros cinco estados, além do Distrito Federal. Em Feira de Santana (BA), a Petrobras patrocina uma feira de mulheres empregadas na agricultura familiar da região, organizada pelo Pólo Sindical dos Trabalhadores Agrícolas da área. Embora negue a vinculação partidária à liberação dos recursos, a coordenadora do Pólo, Conceição Borges, é filiada ao PT e não esconde a sua atuação como militante partidária, tendo inclusive disputado pelo partido uma vaga para a Câmara Municipal, em 2004.

Conceição teve três mil votos que lhe garantiram a segunda suplência da legenda. Ela já presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. A dirigente, que se diz vereadora sem mandato, alega que o apoio da Petrobras se deve à relevância do evento.
Entidade apoiada pela estatal fez mutirão pró-Lula nas eleições
Futura primeira-dama de Sergipe é presidente de honra de ONG beneficiada

No rasto do dinheiro investido pela Petrobras em ações sociais, aparecem prefeituras e ONGs que participaram ativamente da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou têm ligações com outros candidatos do PT.

Em Brasília, a ONG favorecida fez parte do grupo de movimentos sociais que organizou um mutirão pró-Lula. Em Sergipe, a presidente de honra de uma das entidades é mulher do governador eleito, Marcelo Déda (PT).

Eliane Aquino, mulher de Déda, participa da ONG Missão Criança, uma das 15 instituições beneficiadas em Sergipe com recursos da Petrobras — de 2003 a 2005, a estatal foi presidida pelo sergipano José Eduardo Dutra.

A Missão Criança recebeu, em fevereiro, R$ 593 mil para o projeto “Recriando Caminhos 2006” — aulas de dança e música para crianças carentes.

A relação exibe ainda a Fundação Cidade de Aracaju (Funcaju), órgão da Prefeitura de Aracaju — gerida até abril deste ano por Déda —, que recebeu R$ 450 mil para organizar o ForróCaju.

No total, até junho deste ano a Petrobrás liberou quase R$ 2 milhões para projetos culturais e sociais em Sergipe, a maioria destinada a prefeituras e ONGs cujos dirigentes são ligados ao PT ou a aliados.

Favorecida divulgou apoio eleitoral em seu site Beneficiado por R$ 76 mil repassados pela Petrobras, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), de Brasília, faz parte do grupo de movimentos sociais, como o MST, que apoiou a reeleição de Lula. Na última semana da eleição no segundo turno, o movimento chegou a organizar o que os seus coordenadores classificaram de “mutirão contra a direita”.

“Reconhecendo o retrocesso de um projeto neoliberal (...) representado pelos candidatos de direita, o Movimento dos Atingidos por Barragens promove atividades de campanha pela reeleição do Lula, além de apoiar eventuais candidatos de esquerda (...). Trata-se de derrotar a direita e, ao mesmo tempo, exigir do presidente Lula maior envolvimento com as causas dos trabalhadores”, dizia comunicado no site da entidade às vésperas do segundo turno.

sábado, 21 de outubro de 2006

Acertando o passo

Míriam Leitão

O PT critica o PSDB pelo baixo crescimento do Brasil na década de 90; o PSDB hoje critica o PT pelo baixo crescimento do Brasil. Ambos estão certos: nos últimos onze anos, o desempenho do país está sempre abaixo do desenvolvimento mundial. O grande culpado, na opinião dos empresários, é o tamanho do Estado. “Enquanto o governo for deste tamanho, o país não vai crescer”, diz Beto Sicupira, um dos mais bem sucedidos empreendedores do país.


Clique no link do título para íntegra do texto

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Ancelmo Gois no Globo de hoje

O preço da derrota
Deu na primeira página do caderno de economia do “New York Times”, ontem.
Em setembro, o Banco Mundial mandou ao governo Lula relatório em que estimava o custo do fracasso brasileiro no combate ao crime.
Sai, acredite, entre 3,2% e 8,4% do nosso PIB.

Isto...
Não é o custo de trazer o índice de violência a zero.
Segundo o relatório do Banco Mundial, é quanto custa não baixar a criminalidade aqui para o nível de uma Costa Rica, por exemplo. O “New York Times” teve acesso ao relatório, mas nós, não.

Aécio Neves 2010
Além de ajudar Geraldo Alckmin em Minas, Aécio Neves acompanha o candidato tucano em comícios, neste final de semana no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Semana que vem, o mineiro vai com Alckmin à Paraíba e ao Rio Grande do Norte.

Problema de visão
Frank Aguiar, o cantor agora eleito deputado federal por São Paulo, visitou ontem a Câmara e, na estréia, já sofreu um revés.
Um problema nos olhos o fez baixar no posto médico.

Índios de volta
Índios xikrin voltaram a invadir instalações da Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará.
Desta vez, querem que a mineradora assuma uma dívida de R$ 1 milhão da tribo com o comércio da região.